Pesquisar este blog

quinta-feira, 5 de março de 2026

The Ichinose Family's Deadly Sins - Resenha Completa


"The Ichinose Family's Deadly Sins" (Ou "Ichinose-ke no Taizai", para os mais puristas) foi lançado na Weekly Shounen Jump em novembro de 2022, durando aproximadamente um ano dentro da revista, o que rendeu ao mangá seis volumes. O autor é "Taizan 5", que veio para essa serialização com a bola toda dentro da editora, afinal tinha acabado de sair de um super sucesso na Jump+, o aclamado "Takopi", que depois do fim de Ichinose também ganhou uma adaptação animada que aumentou ainda mais seu prestígio. Na minha experiência pessoal como leitor da revista, posso afirmar que existia muita animação para esse lançamento e também várias especulações sobre como o autor lidaria pela primeira vez com um quadrinho de longa duração, uma total novidade em seu currículo.

O primeiro capítulo da obra teve excelente recepção crítica e popular, e posteriormente seu primeiro volume estreou em décimo segundo lugar no ranking de mais vendidos Oricon, o mais referenciado em sua área. A história de como Ichinose passou de um super lançamento para sua finalização precoce, o famigerado "cancelamento", foi interessante de se acompanhar, apesar de que eu particularmente preferia ter visto a obra continuando da forma como deveria.

O texto que vocês estão lendo agora é a primeira parte do meu projeto de catalogação das "Threads Semanais da Jump", uma publicação semanal que escrevo em minhas redes sociais analisando a revista semanalmente, sempre com notas de humor e descontração, unidas a críticas contundentes e análises mais detalhadas. Em cada texto, reunirei os comentários publicados durante as Threads, com o menor número de alterações possível, e a adição de uma introdução e uma conclusão, ambas inéditas. Sem mais delongas, essa é a minha resenha completa de Ichinose!


Volume 1

Capítulo 1;

Hora de falar sobre a série nova, vou me prolongar um pouco mais por aqui. Carregando o peso de ser do mesmo autor de Takopi, mangá que eu particularmente gostei muito e cheguei a dar nota 10, expectativas existiam nisso aqui. Diria que elas foram cumpridas, mas não exatamente pelo conteúdo do primeiro capítulo, mais pelo que ele promete.

Comparado com Takopi, temos um começo mais lento, Ichinose demorou para fazer a virada para o drama, e eu diria que ela talvez tenha sido até mais inesperada. Do ponto de vista de quem já leu Takopi, esperavamos que ia acontecer e talvez até tenhamos estranhado a demora, mas acredito que pra quem não conhece o autor, a quebra de expectativa funcionou MUITO bem e deve convencer muitos a ler, um primeiro capítulo forte.

Senti falta das indicações de que haveria a virada no tom, como aconteceu na obra anterior. Apesar de não sabermos o que aconteceria exatamente, víamos coisas como a mochila da Shizuka e isso já nos preparava, e aqui meio que não aconteceu.

Mas não acho que foi um problema, talvez até torne mais forte e inesperado o momento da revelação. O futuro dirá se funcionou. Comparações a parte, começo FORTE e muitas promessas pro futuro, não esperava menos.

Capítulo 2;


Ahh sim, o bullying escolar. Que saudade que eu tava de você, Taizan. Nunca me decepciona. O ritmo de revelações sendo feitas lentamente, construindo gradualmente a tensão do conflito principal, deve funcionar bem em uma obra semanal.

No capítulo passado comentei sobre como a obra não havia dado muitas indicações de que haveria a mudança de tom, e comentei que talvez fosse uma escolha pra tornar o primeiro capítulo mais impactante. Realmente foi, nesse segundo temos as pistas de volta. Funcionou bem.

Capítulo 3;

Gostaria de dar uma pausa no meu usual foco nos aspectos da história e nas características textuais do Taizan como autor pra fazer um comentário:

Como a arte do autor evoluiu desde Takopi!

É muito interessante perceber que a arte do autor, se comparada diretamente com Takopi, toma cada vez mais um estilo próprio e bonito, se tornando menos amadora e muito mais esteticamente agradável. Particularmente me chamou atenção essa semana.

Capítulo 4;

A série cada vez mais se cerca de mistérios, e as possibilidades a partir daqui só vão aumentando. A construção de expectativa do mangá está enorme, então as revelações terão que fazer justiça a isso. Confio no Taizan.

Capítulo 5;

Espero que todos os leitores aproveitem um breve momento de felicidade em uma obra do Taizan. Se agarrem a ele como se fosse o último. Confiem em mim.

Capítulo 6; 

CARALHO JUMP, VAI DEIXAR ISSO AÍ MESMO?KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK TÁ MALUCO!!!

Capítulo 7;

Meio não relacionado mas não estou satisfeito com a forma como o conflito entre o Tsubasa e o Nakaijima foi resolvido. Depois de tanto bullying dos dois lados, os capítulos passados realmente foram o suficiente pra resolver?

Confio no Taizan então penso que ele vai voltar nessa questão depois, por ora ficou mal resolvido. Sobre o rumo da história em si, caralho, ansioso demais pra ver.

Volume 2

Capítulo 8;

Esse arco da Shiori já está me agradando mais do que o anterior, e olha que ele também estava bom. Capítulo que vem deve ser mais bombástico ainda, no aguardo.

Capítulo 9;

Não achei que os membros da família fossem ver os quartos uns dos outros tão cedo, mas fiquei satisfeito com a naturalidade da coisa toda. Venho me divertindo com esse mangá.

Capítulo 10;

SE APRESENTANDO, A FORÇA JOVEM TAIZAN5, O AUTOR NOVATO MAIS FODA DE TODA SHUEISHA!

Puta merda mano, nem sei por onde começar. Leiam Ichinose.

E tipo, CARALHO! A reclamação que eu fiz umas semanas atrás de achar as resoluções dos conflitos muito rasas simplesmente ERA PLANEJADA! Misericórdia meu irmão que cara bom!!

Capítulo 11;

Rapaziada esse aqui é aquele tipo de mangá que você não se esforça pra ficar teorizando, aproveitem só indo na onda e vamos ver onde a gente chega. Acredito que todos que lêem a Jump deveriam estar lendo Ichinose.

Capítulo 12;

Mesmo com a virada de chave, a série ainda parece ter o ritmo bem rápido, chuto que ainda vai vir outro plot twist dos brabos e não vai demorar muito.

Capítulo 13;

Mais uma semana de entender menos mas ao mesmo tempo entender mais, como usual.

Capítulo 14;

Taizan, Taizan... O que você tá insinuando com esse final? 

O cara acha que ainda tá na Jump Plus...

Capítulo 15;

Se for parar pra pensar, essa é a segunda vez que o mangá deixa um gancho no fim do capítulo dando a entender que algo pesado está pra acontecer e no fim nada demais acontece (A primeira foi com a Shiori). Isso pode ficar velho rápido.

Continuo me divertindo bastante e fico feliz pelo sucesso no primeiro volume, mas acho que ficar utilizando esse recurso muitas vezes em pouco tempo é um tiro no próprio pé, até porque o Taizan não precisa disso.

Capítulo 16;

A forma como o loop foi abordado nesse capítulo me lembrou MUITO de Summertime Rendering, o que me deixou satisfeito já que eu adoro esse mangá e confio no Taizan pra lidar com as coisas da melhor forma possível.

Cria da Jump+ aprendendo com outras lendas da Plus, direto na Jump semanal!!!

Volume 3

Capítulo 17;

Ok, Taizan, você sabe que isso é literalmente Zelda Breath Of The Wild, né? Já te falaram que copiar o dever de casa do amiguinho é feio?

Capítulo 18;

Já que a teoria do Ash em coma não rolou no final de Pokémon, pelo menos o Taizan tem algo guardado pra gente aqui.

Capítulo 19;

Esse é sem dúvida nenhuma o mangá com maior potencial de crescimento sendo serializado na revista atualmente.

Na minha visão, estamos presenciando a ascenção de um futuro clássico.

Capítulo 20;

Gosto demais do ritmo desse mangá, dá as vezes a impressão de que tudo acontece muito rápido mas na verdade os eventos só acontecem naturalmente, nós que estamos acostumados com coisa enrolada mesmo.

Ichinose supremacia 🙏

Capítulo 21;

Sei que o capítulo não foi sobre ele mas atualmente o personagem que mais me interessa é o Sota. Ele tá numa posição muito interessante, e a vibe "moralmente neutro só que nem tanto" que ele passa é muito foda.

Esse mangá é muito bom.

Capítulo 22;

Será que a avó não quer que eles saiam do loop porque sabe que tá com Alzheimer na vida real e vai esquecer deles e de todos os momentos, e por isso ela quer ficar revivendo eles eternamente?

Se for isso, foda pra caralho.

Capítulo 23;

Li semana passada no Twitter em algum lugar que "Quando todo capítulo tem um Plot Twist, então nenhum tem".

Gosto da leitura, mas isso não deixa de ser verdade e cada vez tem menos impacto.

Capítulo 24;

MUITO SATISFEITO com o desenvolvimento nesse capítulo e imensamente feliz pelo mangá não ter se forçado a enfiar um twist desnecessário aqui. Nesse sentido, excelente semana para Ichinose.

Capítulo 25;

Sigo extremamente satisfeito com o rumo do mangá, inclusive se continuar assim o início da obra se torna muito mais interessante do que foi até o momento, escrita muito boa do Taizan.

Volume 4

Capítulo 26;

Preocupante essa posição tão baixa na TOC, a de semana passada também não foi muito boa. Sei lá, esquisito. Vamos ver as vendas do volume 2, né?

Nota; Como os capítulos são publicados na revista com antecedência, o segundo volume ainda não havia sido lançado.

Capítulo 27;

Não posso deixar de comentar sobre a posição no TOC, preocupante demais. Está em uma sequência de posições negativas, e percebo que a recepção dos leitores tá cada vez mais morna. Que loucura, começou tão bem.

Capítulo 28;

Sendo sincero, o Boa Noite Cinderela foi uma solução bem mais normal do que eu esperava vindo do autor, aprecio a quebra de expectativa. Também é legal ver o mangá recebendo uma página colorida novamente, estamos seguros!!!

Capítulo 29;

Ando reparando bastante no quanto a arte do Taizan evoluiu desde Takopi, nessa semana em específico não parei de pensar nisso durante a leitura. Uma de minhas coisas favoritas no mundo dos quadrinhos é poder acompanhar evolução assim.

Capítulo 30;

Acho o conflito de familiares VS hobbys/escolhas de profissão um tema muito bom pra se abordar, ansioso pra ler mais disso.

Obviamente Taizan sempre demonstra tudo de formas extremas e exageradas, mas é esse extremismo que escancara os conflitos e nos choca, trazendo reflexão forte sobre as problemáticas apresentadas.

Sou fã da escrita dele, e não são deslizes em uma obra semanal que vão mudar isso.

Capítulo 31;

E, como se não fosse o suficiente ser um mestre em tantos aspectos, o Taizan também manda bem pra caralho escrevendo romance, mesmo com pouquíssimo tempo.

Capítulo 32;


Fortíssima a sequência de capítulos que Ichinose vem entregando nas últimas semanas. Já era fã da primeira parte, com todos os seus defeitos, mas desde que o Tsubasa acordou a série tá em uma crescente absurda. Ótima leitura.

Capítulo 33;

O tema que atualmente está sendo trabalhado com toda a questão do Sota conversa bastante comigo, então sou suspeito pra falar, mas estou bem positivo sobre o rumo da história.

E, apesar disso poder parecer bem bobinho pra alguns, achei bem criativo o quadro final. Taizan precisa fazer mais coisas desse tipo, adoro quadrinhos sem medo de ser quadrinho.

Capítulo 34;

Apesar de, pelo histórico do autor, a gente ser inclinado a pensar que tudo que é bom dura pouco, espero que esse valor de "família não tem a ver com laços de sangue" seja verdadeiro para o resto do enredo.

Volume 5

Capítulo 35;

Impressionante como em poucas páginas eu já estou sentindo um ódio mortal desse moleque.

Capítulo 36;

O comentário geral por trás da questão do Kenta não é, como vi alguns pensando, que ele é inerentemente mal, e sim como uma atitude falsa e exagerada de empatia estilo Senhorita Morello mais atrapalha do que ajuda.

Capítulo 37;

Totalmente injusta a posição baixa para Ichinose na TOC nessa semana sendo que o capítulo em questão é o melhor do arco atual, com um diálogo que levanta de forma clara e natural o conflito e consolida as questões a serem resolvidas.

Capítulo 38;

Vou esperar a conclusão do arco pra tecer maiores comentários sobre a situação do Kenta, mas quem acha que o Taizan vai simplesmente escrever o moleque como INERENTEMENTE MAU não entendeu a forma como o autor trabalha.

Capítulo 39;

Sinceramente essa semana tô meio poucas ideias, vai tomar no cu quem não gosta desse mangá!!! Capítulo foda demais, tudo que o Taizan sabe fazer de melhor tá cada vez mais explícito nesse arco atual.

Cada vez mais eu enxergo como, além da leitura semanal, Ichinose está se tornando uma obra completa cada vez mais sólida. Novamente, se constrói um clássico moderno da Jump.

Capítulo 40;

Recentemente tive a oportunidade de reler Takopi por meio da edição física lançada aqui no Brasil, estou também produzindo um vídeo onde elogio muito a obra.

Estou na minha temporada de Taizan, então os pouparei de comentários.

Nota: Vocês acreditam que esse vídeo acabou nunca saindo??? Que vergonha...

Capítulo 41;

Se parar pra pensar, a gente já estava faz algumas semanas sem ter nossa cabeça destroçada pelas voltas e curvas que o plot desse mangá gosta de dar. Estamos de volta a Ichinose!!!

Capítulo 42;

Bem, é complicado falar isso em Ichinose, mas, parece que as coisas começam a fazer cada vez mais sentido.  Se o autor seguir tomando como verdade o que foi revelado agora, eu espero que ocorram flashbacks mais detalhados.

Tipo, tivemos pequenos fragmentos das razões pelas quais a família "deu errado" e teria um motivo coletivo pra fugir, no entanto, o que faria bem pra obra mesmo seria um arco inteiro no passado, solidificando bem os temas que já foram abordados. Veremos!

Capítulo 43;

Ao mesmo tempo que gosto dos flashbacks sendo liberados a conta gotas conforme a história atual progride, ainda sou defensor de um arco inteiro no passado. Acho que ele ainda virá, então estou tranquilo.

Capítulo fortíssimo!

Volume 6

Capítulo 44;

Dá pra enxergar facilmente pelo Sota o quanto, não importa o quão fortes nós possamos ser ou passar a impressão de ser, alguns desejos primordiais que temos e alguns traumas do passado podem nos mudar totalmente quando vêm à tona.

Capítulo 45;

Excelente capítulo, e pela primeira vez consigo enxergar uma possibilidade da conclusão estar próxima. Vai ser muito engraçado se Ichinose acabar nos 50/60 e poucos, vai ser uma discussão eterna de cancelamento VS fim natural.

A verdade é que realmente é uma perspectiva interessante, o próprio Takopii terminou bem cedo quando mais coisas poderiam ter sido exploradas, e aquele sabemos que foi natural, o que impediria o autor de repetir isso em Ichinose?

Vamos ver, né?

Capítulo 46;

Mais um que muito provavelmente está terminando, mesmo que em condições bem mais favoráveis.

Após o fim, quero reler esse e tirar uma conclusão definitiva, tendo a obra inteira em mãos. Foi especial pra mim poder acompanhar Ichinose.

Nota: A parte inicial do comentário se refere ao mangá "Ice-Head Gill", que também estava sendo cancelado.

Capítulo 47;

Tá, falando sério, esse capítulo foi SENSACIONAL!!! É impressionante como o Taizan tem controle sobre a própria narrativa, em um mangá com tantos plot twists e que tá perto de acabar, sinceramente não esperava outro pra me pegar.

E a questão não é nem o twist ter rolado, é aquilo que eu sempre comento sobre as obras do Taizan e nunca vou deixar de apreciar, o sentimento de que "algo está errado".

Eu por um segundo duvidei do autor, pensei "sério que ele vai entregar esse final broxa aí??".

Não vai.

Capítulo 48 [FINAL];

Hoje, chega ao seu derradeiro encerramento a saga da família Ichinose, o mangá que mais criou expectativas em mim desde sua estréia em todo esse tempo que acompanho a Jump.

Cancelado? Fim natural? Semi-Cancelamento? Que seja.

Ichinose teve um começo fortíssimo, em popularidade, em vendas e também na qualidade de seu enredo. Foi rapidamente catapultado a um pódio dentro da revista. Quanto mais alto se está, maior é a queda, e a de Ichinose foi o sofrimento nas vendas e recepção cada vez mais morna.

O imediatismo e a histeria, dois fatores inerentes à internet atual, tornaram as críticas dirigidas ao mangá completamente exageradas e desproporcionais. 

O que era erro pontual, virou fatal. 

O que era escolha narrativa, virou má escrita. 

O público mudou.

Isso não isenta Ichinose de seus erros, que eu mesmo apontei em minhas Threads durante as semanas. Faltou desenvolvimento, principalmente ao considerar o fato de que poucos personagens da família são realmente marcantes, ao contrário do que aconteceu em Takopi.

Além de tudo, em certo ponto o autor perdeu a mão com suas tentativas de chocar, forte característica de toda sua obra até o momento. No entanto, isso foi consertado rapidamente e Ichinose terminou com um arco final e semifinal super bem articulados, doa a quem doer.

O autor é de excelência quando o assunto são sentimentos e conflitos. Sentimos a dor dos personagens, refletimos sobre ações e suas consequências e, no geral, vislumbramos o quanto relações humanas são, em sua natureza, imperfeitas e quebradiças.

É justamente essa imperfeição que foi exaltada em Ichinose e Takopi, e os dois possuem um ponto em comum, a mensagem final de que tudo isso não impede a felicidade de existir, e, vou mais longe, é essencial para que ela seja verdadeira.

E Taizan trabalha muito bem, muito mesmo. Não importa o quão perfeita seja a felicidade falsa, não importa o quanto a fuga da realidade seja doce e convidativa, ela não existe verdadeiramente. É a mensagem final, o que torna a jornada gostosa e de muita qualidade.

Agora, ao fim, irei ler Ichinose de cabo a rabo, do começo ao derradeiro encerramento, e absorverei a obra em sua totalidade. Convido todos a fazerem o mesmo, principalmente os que por algum acaso se deixaram levar por comentários inflamados e maldosos sobre o autor e sua obra.

Deixo meus votos positivos a Taizan5 e desejo sucesso em sua próxima obra, seja na revista ou fora dela. Minha nota final é um 8/10.


Conclusão:

Estou extremamente satisfeito de finalmente entregar a primeira edição desse projeto de apresentar as Threads como textos completos, e espero que vocês também tenham gostado da experiência! É super interessante perceber como as perspectivas a respeito da obra vão mudando conforme o tempo passa e como eu reagi aos fatores externos, tipo as posições dentro da revista, vendas de volumes e coisas do tipo. Apesar de ter sido escrito em 2023, gostei bastante desse meu último comentário a respeito da obra, acho que soube resumir bem os sentimentos que tive e o que era importante para mim colocar para fora naquele momento. Fiquei muito insatisfeito com a forma que o mangá terminou e passei diversas semanas indignado com a revista. Hoje, vendo o tanto de tralha que ficou, acho que fico mais indignado ainda.

É uma pena ver que os desenvolvimentos do passado que o autor planejava, desenvolvimentos esses que eu tanto comentava querer ler, foram basicamente destruídos pela necessidade de finalizar o enredo. Talvez, se tivesse pensado nisso, o Taizan poderia ter segurado a onda nas quinhentas mil reviravoltas do início e começado a trabalhar neles mais cedo. Enfim, é o tipo de coisa que acontece em uma serialização semanal, e é o tipo de experiência que ele vai guardar pro futuro. É interessante notar que, apesar da queda vertiginosa no Japão, Ichinose ainda teve a oportunidade de ser publicado em diversas línguas, incluindo o francês e o espanhol. Tenho um vídeo onde comento e mostro a edição francesa, e vou deixar ele disponível no final dessa postagem.

Após o fim do mangá, o autor lançou dois One-Shots na Jump+, um em 2024 e o outro em 2025. O segundo, "Fighting Girls", foi fortemente bem recebido e também traduzido simultaneamente para o inglês pelo Mangá Plus. Acredito que existe muito potencial para um retorno do Taizan, e ele mesmo demonstra ter vontade de tentar de novo, só não sei se será na Jump. De qualquer forma, estou ansioso.

Agradeço a atenção, e vejo vocês em um próximo texto!




segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Resenha: El Origen de Máquina de Guerra (Iron Man 1 #280-291)


A parte mais significativa e expansiva de minha alma se perdeu no interior de uma prateleira mofada no fundo de uma loja de quadrinhos antigos em Mataró, no litoral da Catalunya, e ela nunca mais quis voltar. Por que voltaria? É um mundo tão cativante e uma miríade absurda de descobertas a se fazer em meio a publicações empoeiradas e conversas paralelas em Catalão das quais não entendo muito mais do que um "si us plau". 

Estive em Mataró por um dia e, dentre as habituais visitas a igrejas e bonitas construções que são comuns ao itinerário europeu, enchi meu dia de visitas a lojas de quadrinhos. Eu sou absolutamente fascinado pela ideia de visitar sebos em um país como a Espanha, sobre o qual eu conheço pouquíssimo a respeito do histórico de publicações em comparação com o que sei do Brasil. Em uma simples olhada pelo que está disponível, são inúmeras as descobertas sobre os gostos daquele povo, o que estava em publicação em cada época, e ainda tem o bônus incrível de poder por preços super camaradas levar algumas dessas peças de história para casa e realizar maiores pesquisas. Hoje, é hora da resenha da minissérie Marvel "El Origen de Máquina de Guerra", nunca publicada separadamente no Brasil e que traz o imenso charme dos quadrinhos noventistas do Homem de Ferro, em uma edição espanhola que me surpreendeu pelo detalhismo.

Abaixo, como transição, uma belíssima igreja que fotografei em Mataró. É a Basílica de Santa Maria de Mataró.

A premissa da série, que apesar de ter sido separadamente publicada em seis edições pela editora espanhola Fórum não passa de um recorte de edições da clássica run do Iron Man, é bastante comum aos quadrinhos americanos. O Homem de Ferro, seguindo eventos de edições anteriores, está a beira da morte e começa os preparativos para o fim de sua vida com toda a engenhosidade que se esperaria de um Tony Stark noventista. Seu amigo Rhodes, que já havia anteriormente utilizado a armadura e não era muito favorável a voltar a atuar como herói, é o escolhido para seguir o legado de Tony após a sua morte, isso obviamente ignorando que não existe morte definitiva em quadrinhos de super herói, e na própria minissérie o Stark já retorna.

Uma de minhas maiores ressalvas com esse tipo de publicação, e que sei que é compartilhada por muitos de meus amigos leitores de mangá, é que a Marvel muitas vezes parece já assumir que o leitor possui um incrível conhecimento sobre seu universo e ainda por cima adora citar eventos de outras publicações, o que deixa o leitor mais esporádico absolutamente confuso. Estava mais preocupado ainda em uma minissérie como essa, que no fim não passa de um recorte de uma série que chegava na época aos 300 números. Mas olha, me surpreendi positivamente, e isso foi graças ao trabalho da Editora Fórum.

Páginas como essa lotam todas as seis edições da publicação. A editora escreveu artigos completos sobre os acontecimentos da revista na época, e esses artigos vão desde contextualização de eventos anteriores até promoções de outras séries, tudo de forma extremamente didática e simples. Não é exagero dizer que o trabalho feito nessas edições aumentou imensamente meu aproveitamento, principalmente por eu não esperar material desse tipo em publicações simples de capa cartão. Munido de contexto e de diversas informações que não me recordava a respeito do mundo Marvel noventista, estava pronto para mergulhar em uma nova aventura!

E que aventura divertida! A saga, mesmo com sua premissa simples e a presença de poucos personagens marcantes, é lotada de bons momentos e de diversão desinibida. Desde flashbacks extensos a respeito da psique de Tony Stark até clássicas lutas com aqueles vilões de quadrinhos ridículos que aprendemos a amar, aqui tem tudo! 

A obra ainda busca adentrar vários temas importantes, que no geral circulam em críticas extensas ao capitalismo e ao corporativismo. Penso que essas críticas acabam tendo pouco tempo pra desenvolver e se tornando mais rasas do que deveriam, principalmente pela natureza de uma publicação contínua onde precisamos ter pelo menos um pouquinho de porrada por edição e que não dá pra parar tanto assim para pensar, como poderia acontecer em uma série mais autocontida. De qualquer forma, elas existem e não são nem de longe apagadas dentro do enredo.

O vilão do quadro acima, em específico, faz críticas extremamente ácidas e que bateram muito comigo. É até interessante que o Máquina de Guerra, nosso protagonista, concede ao vilão a maioria de seus pontos e acaba de certa forma colaborando com o mesmo, apesar de reprovar seus métodos. É uma publicação que não tem medo de subverter alguns dos tropos de herói, ao mesmo tempo que se mantém extremamente fiel a eles, o que é fascinante. Apesar de eu ter desejos específicos que não foram cumpridos por essa série, entendo que a maioria deles, como o aprofundamento das críticas, nem sequer estava na proposta, o que me leva à conclusão de que, dentro de seu formato, a origem do máquina de guerra é absolutamente respeitável e divertida.

Os desdobramentos do enredo da minissérie levam a um rompimento entre Tony Stark e seu colega, o que geraria uma publicação solo do Máquina de Guerra, como parte da iniciativa que a Marvel possuía na época de criar versões mais "moralmente cinzas" de seus heróis clássicos. Meu conhecimento a respeito do personagem não passava do que assisti nos filmes e de algumas aparições do mesmo em outros quadrinhos, então, como novo leitor, posso afirmar que a introdução foi primorosa e que inclusive fiquei com muita vontade de conhecer outras aventuras clássicas do Homem de Ferro.

Acredito que vale deixar também uma nota a respeito das cenas de ação, que, apesar de extremamente básicas, o que é uma pena dada a gama de poderes interessantes apresentados, são auxiliadas e em muitos momentos carregadas pela arte sensacional, que brilha em sua estética de época e chama atenção de qualquer leitor atento. É uma pena que no Brasil, até onde sei, esse material está preso nos antigos formatinhos da Abril, enquanto na Espanha recebeu ainda uma edição "Marvel Gold" mais tarde. Sinceramente não sei como é a disponibilidade de quadrinhos americanos online hoje em dia, se isso fosse um texto sobre mangás eu certamente teria mil e uma recomendações sobre como ler e onde encontrar, mas aqui deixo a cargo do leitor decidir se vale a leitura e onde poderá a realizar.

Existiu também sessão de cartas com sugestões dos leitores e interação direta! Que saudades eu tenho dos quadrinhos com sessões de cartas. No Brasil, corro sempre atrás das edições mais antigas de Naruto que tinham uma dessas, super divertida e onde o pessoal publicava até fanart. Sou totalmente advogado de uma cultura onde as publicações deixem de querer ser cópias perfeitas de versões estrangeiras e se entreguem à interação com os leitores locais, que torna tudo extremamente mais rico. Decido deixar isso como mensagem final na resenha, apesar de pouco ter a ver com a história em si. Bem, eu posso, é meu blog!!!

E, finalizo o primeiro texto de fevereiro nessa nota. Agradeço pela leitura e aguardo vocês por aqui em breve!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Highschool DxD, Pokémon Black & White e mais - Leituras de Mangá (Dezembro 2025)


Ainda há esperança. Eu possuo o poder de transformar tecladas inconsequentes em textos a respeito dos mais variados assuntos, e não posso ter medo de o usar para o bem maior!

Janeiro corre no que é pra mim uma velocidade praticamente indecifrável. Ano passado foi conturbado, muita coisa aconteceu na minha vida e eu tinha a impressão de que estava preso eternamente, parecia que nunca ia acabar. No fim, não só chegou ao fim, como está parecendo que 2026 promete andar bem mais depressa no meu relógio interno, o que a essa altura do campeonato é uma mudança super bem-vinda.

Tudo isso é pra dizer que eu quero fazer um texto a respeito das minhas leituras de dezembro do ano passado, e que estive correndo contra o tempo pra deixar ele pronto e jogar na boca do povo. Me parece inacreditável pensar que no meio de um janeiro onde eu estive cada hora em um setor diferente da humanidade eu vou ter condições de lançar dois textos. Mas bem, você tá lendo isso, então eu consegui, e as consequências para a minha qualidade de sono e de vida certamente não são relevantes ao assunto!!!! Vamos agora conversar sobre gibis filipinos.


A Nova Ilha do Tesouro (1984 - Volume Único)

Uns poucos anos atrás, comecei uma leitura do clássico "Astro Boy", que antes conhecia apenas superficialmente e por meio daquele filme em CGI que nem quando eu era criança eu gostava. É um mangá fascinante e que aborda temáticas incrivelmente atuais, mas ele também é longo e de leitura bastante cansativa, ou ao menos foi a impressão que tive. O resultado é que acabei parando após alguns volumes e deixei aquele gibi na minha enorme lista de pendências, no entanto, meu desejo de me aprofundar na bibliografia do hoje lendário Osamu Tezuka permaneceu vivo. A solução que venho encontrando pra isso é a leitura dos volumes únicos que a NewPop publicou no Brasil majoritariamente no início de sua carreira, e que hoje são facilmente encontrados por preços baratos demais. Sendo assim, é quase impossível não levar pra casa, ao menos para um compulsivo como eu.

"A Nova Ilha do Tesouro" é incrivelmente interessante, sendo uma versão refeita do que é tido por muitos como o primeiro sucesso de Tezuka. Como relatado pelo próprio autor, a primeira versão do mangá acabou sendo fortemente picotada por circunstâncias complicadas com seu antigo editor, então ele decidiu refazer tudo e dar à obra uma versão contemporânea, em sua época, é claro. O enredo é bastante simples e lembra bem o que você esperaria de uma obra de época, podendo fazer o paralelo óbvio com as produções da Disney, para facilitar o entendimento do leitor. Porém, o que realmente me fascinou é o contexto histórico que essa edição encadernada decidiu incluir, já que ela vem com muitas páginas retiradas de um antigo diário do Tezuka, onde o autor narra parte de seus primórdios como desenhista e comenta sobre diversos aspectos mundanos, tanto referentes a seus hábitos quanto aos mangás que estava produzindo. Eu VIAJEI lendo esse diário, me senti transportado para um mundo de época que me deixou absolutamente imerso.

Recomendo totalmente a leitura pra quem é minimamente interessado em história, mesmo que não possua necessariamente o ímpeto de conhecer melhor o Tezuka. É um encadernado valioso e que pode ser comprado por aí por uma pechincha.


A Pessoa Amada (1993 a 1995 - Volume Único - Young Rosé)

E falando em volumes únicos de autores renomados, temos outro integrante desse seleto grupo no texto de hoje. Estou falando do "A Pessoa Amada", volume do grupo Clamp que, adicionando ainda mais para a coincidência, também foi publicado pela NewPop e também é encontrado por aí a preço de banana. Quer mais um detalhe pra coincidência? Pois bem, é mais um encadernado que eu adorei!!!

Vou admitir que as minhas expectativas para essa leitura estavam praticamente nulas. Não por causa da CLAMP como um todo, já que eu curto a maioria dos maneirismos do grupo e penso que as meninas de lá são mestres do mangá, mas sim por uma experiência passada que tive. Li anos atrás o "Shunkaden", outro One-Shot da CLAMP publicado pela NewPop, e achei plenamente medíocre em comparação com o que conheço do grupo, mesmo que admita que eu poderia conhecer bem mais. Peguei o mangá sobre o qual aqui escrevo pensando que poderia muito bem ser só mais uma experiência normalzona, bem-vinda, mas normalzona. E eu estava enganado.

Entre vários capítulos pequenos e ainda ensaios escritos pelo grupo que transitam entre as partes desenhadas, trata-se de um volume que analisa várias das faces do amor sob um olhar feminino delicado e transmitido ao papel de forma absolutamente sublime. É de tirar o chapéu como podemos sentir uma miríade tão profunda de sensações ao ler pequenos recontos com personagens que nem sequer conhecemos. Leitura absolutamente recomendada, é um dos melhores volumes únicos que li nos últimos anos, e olha que a JBC vem lançando uns que são páreo duro.


Blooming Love (2023 a 2025 - 7 Volumes - Jump+)

Vamos sair um pouco da nostalgia e voltar para a atualidade, é hora de comentar mais uma de minhas trocentas leituras semanais, sendo essa obviamente uma que encerrei durante o mês de dezembro.

"Blooming Love" é um romance que nasceu com muito prestígio nos meus círculos por vários motivos, desde o passado do autor até a abordagem pé no chão e singela da relação entre os personagens. Não é um mangá ruim, ele tem o seu valor em diversos aspectos sobre os quais você pode conversar com algum dos vários fãs da obra por aí. Eu não sou um deles.

Vou confessar que desde o primeiro dia eu caracterizava esse romance como absolutamente sem tempero. Não me conecto com os personagens e com as situações, não encontro uma característica marcante que faça eu me afeiçoar pela história e muito menos vejo motivo para preferir ele em detrimento de outros romances excelentes que saem junto na plataforma, como o "Hope You're Happy Lemon", que exala personalidade e carisma. Não é um gibi que me dá vontade de elogiar e nem de ficar falando mal, é um momento que existiu e que agora deixa de existir. Sem mais.


Pokémon Black & White (2010 a 2013 - 9 Volumes - CoroCoro Ichiban e Pokémon Special)

Caralho, eu não acredito que finalmente tomei vergonha e decidi levar pra frente essa releitura que eu já tava a fim de fazer a anos. Olhando assim, dá até um orgulho do meu eu do mês passado. E olha que esse não é o único mangá sobre o qual vou poder dizer isso nessa lista!

Apesar de eu nunca ter tido os jogos dela na infância, a região de Unova me marcou incrivelmente, simplesmente por ser o que existia quando comecei a entender o que era Pokémon. Tecnicamente eu também peguei o finalzinho do Diamante e Pérola, mas era bem o finalzinho mesmo e não cheguei a ter nenhum produto daquela geração, como as cartinhas e coisas do tipo. Tudo começou em Unova! Por isso, quando lançou o mangá de Black & White no Brasil, eu rapidamente comprei e lembro de ter me divertido pra caramba com esses volumes, apesar de que nunca consegui a coleção completa na época. Corta pra eu no auge dos meus 21 anos, cheio de livros velhos e um sonho, que é descobrir se esse mangá realmente era bom que nem eu me lembrava.


É um gibi divertido, e apesar de ter muitos momentos de encheção de linguiça mesmo sendo um arco curto, consegue se segurar o tempo todo com seus bons personagens e suas dinâmicas divertidas. O lance do protagonista com a Munna é simplesmente sensacional, uma das ideias mais criativas na franquia e que adiciona ao Black mais camadas que fogem do estereótipo básico que ele poderia ter sido. Além disso, temos a White e seu subtexto que conversa de forma direta com o conflito para com a Equipe Plasma, que forma um dos grupos de vilões mais interessantes de toda a série Pokémon em questão de ideologia. É aquele típico grupo que precisa de vez em quando ser colocado fazendo coisas comicamente malvadas pra gente lembrar que eles são os vilões e que a gente não deveria estar concordando com eles, apesar de que os autores até que vão bastante longe no conflito da "posse" dos Pokémon, o mais longe que poderiam em um Kodomo.

No fim, o saldo é extremamente positivo e além de tudo os líderes de ginásio e a elite quatro ganham bastante tempo de aparecer e demonstrar suas personalidades e habilidades únicas. É um outro mundo se comparado com o anime, que eu quando criança já achava um porre e nem quero imaginar o que pensaria a respeito hoje.


Highschool DxD (2010 a 2018 - 11 Volumes - Dragon Age)

Era uma vez um menino viciado em desenhos japoneses que passava horas navegando nos mais diversos e obscuros espaços da internet em busca de entretenimento. Um belo dia, ele encontra um anime com uma linda peituda de cabelos ruivos que tira a roupa logo no primeiro episódio de forma incrivelmente explícita. Agora imagine que, além de tudo, esse anime tinha uma abertura MAGNÍFICA e uma história criativa cheia de personagens cativantes. É o sonho da juventude!

Eu finalmente reli a versão em mangá de Highschool DXD, que infelizmente não teve a oportunidade de adaptar todo o conteúdo das light novels e parou relativamente cedo, aos 11 volumes. Estou comprando as novels em inglês no melhor ritmo que meu orçamento permite e conhecendo a história em sua fonte original, no entanto, o mangá não é nem de longe de se jogar fora. A arte é bonita, e todas as qualidades da obra, desde seu sistema de poder surpreendentemente criativo até o ecchi sensacional, estão absolutamente intocadas nessa versão. Seria super interessante se em algum momento essa adaptação fosse retomada, mas eu não espero que aconteça tão cedo.


2.5 Dimensional Seduction (2019 a 2025 - 25 Volumes - Jump+)

E de ecchi a nova geração também tá extremamente bem servida. Eles podem estar diminuindo de volume em algumas publicações tradicionais, mas a longevidade de gibis como o excelente "2.5d Seduction" mostra que o mundo ainda está lotado de jovens cheios de vitalidade. Como deve ser.
 
Uns anos atrás, antes desse blog voltar à ativa, eu fiz uma thread lá no Twitter onde comentava de forma bastante apaixonada a respeito desse mangázinho. Até hoje me orgulho daquele texto e acho que foi um dos melhores que fiz no formato, portanto, permita-me vos apresentar uma versão adaptada dele nessa seção do texto;


2.5d Seduction, adicionado recentemente no Mangá Plus, prova que a aceitação é a maior forma de paixão que existe. Com um elenco maravilhoso e repleto de paixão, que cresce conforme os personagens se desenvolvem e aprofundam suas relações, é uma leitura extremamente foda.

À primeira vista, essa série parece um Ecchi mais tradicional, usando como pretexto o cosplay e focando no erótico mais do que outra coisa. O que chama atenção nesse começo é o protagonista, que é excêntrico e completamente comprometido com o 2D. Conforme a história se desenvolve, o ecchi deixa de ser o foco e passa a ser um dos elementos de uma história que, acima de tudo, fala sobre paixões, hobbies e a aceitação de cada um por suas individualidades. É um mangá extremamente apaixonado por seus conceitos, e isso é fascinante.


Por meio de diferentes contextos, encontramos personagens que vêem no cosplay um complemento para algo que falta em suas vidas, todos passando em algum nível pela aceitação de suas características consideradas diferentes e muitas vezes marginalizadas. Sendo assim, é um mangá essencialmente sobre se aceitar como você é, indo desde o contexto otaku até o romance, o erótico, o fetichismo e tudo mais. A obra confronta o leitor apresentando conceitos que você pode considerar "errados" ou "esquisitos" como perfeitamente aceitáveis. Desde cultura fujoshi, doujinshi, garotas fascinadas pelo erótico, personagens confrontadas sobre o valor que representam ao mundo, o elenco majoritariamente feminino representa uma variedade belíssima e me cativou imensamente.


Retornando ao conflito do protagonista, o mesmo percebe que sua atração "somente" por garotas 2D era uma forma de escapismo para traumas que o mesmo possui. Com isso, ele abandona o 2D e percebe que o 3D é mais importante?

Não, ele aceita ambos como parte de sua vida.

Esse mangá é verdadeiramente especial e conversou comigo em um nível absurdo. Claro que existe o aspecto de harém que pode desagradar os mais puristas e também é uma obra que inevitavelmente utiliza muito do erótico, no entanto, se não curte, vale passar por cima disso. É o tipo de quadrinho em que, sempre que um personagem novo é adicionado, você possui a certeza de que terá sinergia perfeita com o elenco. É o tipo de mangá que dá pra imaginar QUALQUER personagem conversando com QUALQUER personagem, isso é um indicativo de qualidade gigantesco.

Admito que sou mais fã do Ecchi como elemento de humor, que costuma se encontrar nos quadrinhos da Jump (Como To Love-Ru e até Yuuna até certo ponto), no entanto, o ecchi de 2.5d Seduction vai ficando cada vez mais natural e é verdadeiramente um elemento importante. Me faltam palavras pra elogiar esse mangá, foda demais. Termino simplesmente recomendando ele, leiam e divirtam-se!


Shinewbi (2025 - 3 Volumes - Jump+)

Finalizei minhas leituras mensais, ao menos até onde as conclusões vão, com um canceladinho da Jump+, que ainda tava faltando nesse texto. Não posso deixar meus leitores esquecerem que me comprometi por anos com um desafio extremamente masoquista de ler todos os lançamentos do Mangá Plus, fato devidamente documentado nesse vídeo. Não se esqueça que pra gente poder rir tem vários palhaços almoçando Cup Noodles com cerveja Lokal.

Sendo sincero, esse mangá é legalzinho. É uma história de ninjas moderna que mistura ferramentas tecnológicas com as artes mais tradicionais e que basicamente gira em torno de um romance entre os dois protagonistas, que usam tipos de técnicas opostas e com isso se completam nas missões e, futuramente, no amor. Os capítulos são engraçados e fáceis de ler, e a obra sabe bem no que é boa e decide focar nisso, uma habilidade que pouquíssimos autores sabem demonstrar dentro da plataforma atualmente. Tem meu selo de aprovação, apesar de que eu não particularmente recomendaria essa leitura a menos que o tema tenha te chamado atenção.


E chegou ao fim mais um apanhado de comentários sobre minhas leituras! É evidente que não quero me comprometer com postagens de tema parecido mensalmente e que também não desejo que meu blog se resuma a esse tipo de texto, no entanto, essas tem sido as matérias com melhor resultado de acordo com as estatísticas totalmente imparciais que o Google™ me fornece. É bom fazer o que o povo gosta, né não?

E sim, estou falando com vocês, poucos e fiéis leitores. Os vejo na próxima!