Ainda há esperança. Eu possuo o poder de transformar tecladas inconsequentes em textos a respeito dos mais variados assuntos, e não posso ter medo de o usar para o bem maior!
Janeiro corre no que é pra mim uma velocidade praticamente indecifrável. Ano passado foi conturbado, muita coisa aconteceu na minha vida e eu tinha a impressão de que estava preso eternamente, parecia que nunca ia acabar. No fim, não só chegou ao fim, como está parecendo que 2026 promete andar bem mais depressa no meu relógio interno, o que a essa altura do campeonato é uma mudança super bem-vinda.
Tudo isso é pra dizer que eu quero fazer um texto a respeito das minhas leituras de dezembro do ano passado, e que estive correndo contra o tempo pra deixar ele pronto e jogar na boca do povo. Me parece inacreditável pensar que no meio de um janeiro onde eu estive cada hora em um setor diferente da humanidade eu vou ter condições de lançar dois textos. Mas bem, você tá lendo isso, então eu consegui, e as consequências para a minha qualidade de sono e de vida certamente não são relevantes ao assunto!!!! Vamos agora conversar sobre gibis filipinos.
A Nova Ilha do Tesouro (1984 - Volume Único)
Uns poucos anos atrás, comecei uma leitura do clássico "Astro Boy", que antes conhecia apenas superficialmente e por meio daquele filme em CGI que nem quando eu era criança eu gostava. É um mangá fascinante e que aborda temáticas incrivelmente atuais, mas ele também é longo e de leitura bastante cansativa, ou ao menos foi a impressão que tive. O resultado é que acabei parando após alguns volumes e deixei aquele gibi na minha enorme lista de pendências, no entanto, meu desejo de me aprofundar na bibliografia do hoje lendário Osamu Tezuka permaneceu vivo. A solução que venho encontrando pra isso é a leitura dos volumes únicos que a NewPop publicou no Brasil majoritariamente no início de sua carreira, e que hoje são facilmente encontrados por preços baratos demais. Sendo assim, é quase impossível não levar pra casa, ao menos para um compulsivo como eu.
"A Nova Ilha do Tesouro" é incrivelmente interessante, sendo uma versão refeita do que é tido por muitos como o primeiro sucesso de Tezuka. Como relatado pelo próprio autor, a primeira versão do mangá acabou sendo fortemente picotada por circunstâncias complicadas com seu antigo editor, então ele decidiu refazer tudo e dar à obra uma versão contemporânea, em sua época, é claro. O enredo é bastante simples e lembra bem o que você esperaria de uma obra de época, podendo fazer o paralelo óbvio com as produções da Disney, para facilitar o entendimento do leitor. Porém, o que realmente me fascinou é o contexto histórico que essa edição encadernada decidiu incluir, já que ela vem com muitas páginas retiradas de um antigo diário do Tezuka, onde o autor narra parte de seus primórdios como desenhista e comenta sobre diversos aspectos mundanos, tanto referentes a seus hábitos quanto aos mangás que estava produzindo. Eu VIAJEI lendo esse diário, me senti transportado para um mundo de época que me deixou absolutamente imerso.
Recomendo totalmente a leitura pra quem é minimamente interessado em história, mesmo que não possua necessariamente o ímpeto de conhecer melhor o Tezuka. É um encadernado valioso e que pode ser comprado por aí por uma pechincha.
A Pessoa Amada (1993 a 1995 - Volume Único - Young Rosé)
E falando em volumes únicos de autores renomados, temos outro integrante desse seleto grupo no texto de hoje. Estou falando do "A Pessoa Amada", volume do grupo Clamp que, adicionando ainda mais para a coincidência, também foi publicado pela NewPop e também é encontrado por aí a preço de banana. Quer mais um detalhe pra coincidência? Pois bem, é mais um encadernado que eu adorei!!!
Vou admitir que as minhas expectativas para essa leitura estavam praticamente nulas. Não por causa da CLAMP como um todo, já que eu curto a maioria dos maneirismos do grupo e penso que as meninas de lá são mestres do mangá, mas sim por uma experiência passada que tive. Li anos atrás o "Shunkaden", outro One-Shot da CLAMP publicado pela NewPop, e achei plenamente medíocre em comparação com o que conheço do grupo, mesmo que admita que eu poderia conhecer bem mais. Peguei o mangá sobre o qual aqui escrevo pensando que poderia muito bem ser só mais uma experiência normalzona, bem-vinda, mas normalzona. E eu estava enganado.
Entre vários capítulos pequenos e ainda ensaios escritos pelo grupo que transitam entre as partes desenhadas, trata-se de um volume que analisa várias das faces do amor sob um olhar feminino delicado e transmitido ao papel de forma absolutamente sublime. É de tirar o chapéu como podemos sentir uma miríade tão profunda de sensações ao ler pequenos recontos com personagens que nem sequer conhecemos. Leitura absolutamente recomendada, é um dos melhores volumes únicos que li nos últimos anos, e olha que a JBC vem lançando uns que são páreo duro.
Blooming Love (2023 a 2025 - 7 Volumes - Jump+)
Vamos sair um pouco da nostalgia e voltar para a atualidade, é hora de comentar mais uma de minhas trocentas leituras semanais, sendo essa obviamente uma que encerrei durante o mês de dezembro.
"Blooming Love" é um romance que nasceu com muito prestígio nos meus círculos por vários motivos, desde o passado do autor até a abordagem pé no chão e singela da relação entre os personagens. Não é um mangá ruim, ele tem o seu valor em diversos aspectos sobre os quais você pode conversar com algum dos vários fãs da obra por aí. Eu não sou um deles.
Vou confessar que desde o primeiro dia eu caracterizava esse romance como absolutamente sem tempero. Não me conecto com os personagens e com as situações, não encontro uma característica marcante que faça eu me afeiçoar pela história e muito menos vejo motivo para preferir ele em detrimento de outros romances excelentes que saem junto na plataforma, como o "Hope You're Happy Lemon", que exala personalidade e carisma. Não é um gibi que me dá vontade de elogiar e nem de ficar falando mal, é um momento que existiu e que agora deixa de existir. Sem mais.
Pokémon Black & White (2010 a 2013 - 9 Volumes - CoroCoro Ichiban e Pokémon Special)
Caralho, eu não acredito que finalmente tomei vergonha e decidi levar pra frente essa releitura que eu já tava a fim de fazer a anos. Olhando assim, dá até um orgulho do meu eu do mês passado. E olha que esse não é o único mangá sobre o qual vou poder dizer isso nessa lista!
Apesar de eu nunca ter tido os jogos dela na infância, a região de Unova me marcou incrivelmente, simplesmente por ser o que existia quando comecei a entender o que era Pokémon. Tecnicamente eu também peguei o finalzinho do Diamante e Pérola, mas era bem o finalzinho mesmo e não cheguei a ter nenhum produto daquela geração, como as cartinhas e coisas do tipo. Tudo começou em Unova! Por isso, quando lançou o mangá de Black & White no Brasil, eu rapidamente comprei e lembro de ter me divertido pra caramba com esses volumes, apesar de que nunca consegui a coleção completa na época. Corta pra eu no auge dos meus 21 anos, cheio de livros velhos e um sonho, que é descobrir se esse mangá realmente era bom que nem eu me lembrava.
É um gibi divertido, e apesar de ter muitos momentos de encheção de linguiça mesmo sendo um arco curto, consegue se segurar o tempo todo com seus bons personagens e suas dinâmicas divertidas. O lance do protagonista com a Munna é simplesmente sensacional, uma das ideias mais criativas na franquia e que adiciona ao Black mais camadas que fogem do estereótipo básico que ele poderia ter sido. Além disso, temos a White e seu subtexto que conversa de forma direta com o conflito para com a Equipe Plasma, que forma um dos grupos de vilões mais interessantes de toda a série Pokémon em questão de ideologia. É aquele típico grupo que precisa de vez em quando ser colocado fazendo coisas comicamente malvadas pra gente lembrar que eles são os vilões e que a gente não deveria estar concordando com eles, apesar de que os autores até que vão bastante longe no conflito da "posse" dos Pokémon, o mais longe que poderiam em um Kodomo.
No fim, o saldo é extremamente positivo e além de tudo os líderes de ginásio e a elite quatro ganham bastante tempo de aparecer e demonstrar suas personalidades e habilidades únicas. É um outro mundo se comparado com o anime, que eu quando criança já achava um porre e nem quero imaginar o que pensaria a respeito hoje.
Highschool DxD (2010 a 2018 - 11 Volumes - Dragon Age)
Era uma vez um menino viciado em desenhos japoneses que passava horas navegando nos mais diversos e obscuros espaços da internet em busca de entretenimento. Um belo dia, ele encontra um anime com uma linda peituda de cabelos ruivos que tira a roupa logo no primeiro episódio de forma incrivelmente explícita. Agora imagine que, além de tudo, esse anime tinha uma abertura MAGNÍFICA e uma história criativa cheia de personagens cativantes. É o sonho da juventude!
Eu finalmente reli a versão em mangá de Highschool DXD, que infelizmente não teve a oportunidade de adaptar todo o conteúdo das light novels e parou relativamente cedo, aos 11 volumes. Estou comprando as novels em inglês no melhor ritmo que meu orçamento permite e conhecendo a história em sua fonte original, no entanto, o mangá não é nem de longe de se jogar fora. A arte é bonita, e todas as qualidades da obra, desde seu sistema de poder surpreendentemente criativo até o ecchi sensacional, estão absolutamente intocadas nessa versão. Seria super interessante se em algum momento essa adaptação fosse retomada, mas eu não espero que aconteça tão cedo.
2.5 Dimensional Seduction (2019 a 2025 - 25 Volumes - Jump+)
E de ecchi a nova geração também tá extremamente bem servida. Eles podem estar diminuindo de volume em algumas publicações tradicionais, mas a longevidade de gibis como o excelente "2.5d Seduction" mostra que o mundo ainda está lotado de jovens cheios de vitalidade. Como deve ser.
Uns anos atrás, antes desse blog voltar à ativa, eu fiz uma thread lá no Twitter onde comentava de forma bastante apaixonada a respeito desse mangázinho. Até hoje me orgulho daquele texto e acho que foi um dos melhores que fiz no formato, portanto, permita-me vos apresentar uma versão adaptada dele nessa seção do texto;
2.5d Seduction, adicionado recentemente no Mangá Plus, prova que a aceitação é a maior forma de paixão que existe. Com um elenco maravilhoso e repleto de paixão, que cresce conforme os personagens se desenvolvem e aprofundam suas relações, é uma leitura extremamente foda.
À primeira vista, essa série parece um Ecchi mais tradicional, usando como pretexto o cosplay e focando no erótico mais do que outra coisa. O que chama atenção nesse começo é o protagonista, que é excêntrico e completamente comprometido com o 2D. Conforme a história se desenvolve, o ecchi deixa de ser o foco e passa a ser um dos elementos de uma história que, acima de tudo, fala sobre paixões, hobbies e a aceitação de cada um por suas individualidades. É um mangá extremamente apaixonado por seus conceitos, e isso é fascinante.
Por meio de diferentes contextos, encontramos personagens que vêem no cosplay um complemento para algo que falta em suas vidas, todos passando em algum nível pela aceitação de suas características consideradas diferentes e muitas vezes marginalizadas. Sendo assim, é um mangá essencialmente sobre se aceitar como você é, indo desde o contexto otaku até o romance, o erótico, o fetichismo e tudo mais. A obra confronta o leitor apresentando conceitos que você pode considerar "errados" ou "esquisitos" como perfeitamente aceitáveis. Desde cultura fujoshi, doujinshi, garotas fascinadas pelo erótico, personagens confrontadas sobre o valor que representam ao mundo, o elenco majoritariamente feminino representa uma variedade belíssima e me cativou imensamente.
Retornando ao conflito do protagonista, o mesmo percebe que sua atração "somente" por garotas 2D era uma forma de escapismo para traumas que o mesmo possui. Com isso, ele abandona o 2D e percebe que o 3D é mais importante?
Não, ele aceita ambos como parte de sua vida.
Esse mangá é verdadeiramente especial e conversou comigo em um nível absurdo. Claro que existe o aspecto de harém que pode desagradar os mais puristas e também é uma obra que inevitavelmente utiliza muito do erótico, no entanto, se não curte, vale passar por cima disso. É o tipo de quadrinho em que, sempre que um personagem novo é adicionado, você possui a certeza de que terá sinergia perfeita com o elenco. É o tipo de mangá que dá pra imaginar QUALQUER personagem conversando com QUALQUER personagem, isso é um indicativo de qualidade gigantesco.
Admito que sou mais fã do Ecchi como elemento de humor, que costuma se encontrar nos quadrinhos da Jump (Como To Love-Ru e até Yuuna até certo ponto), no entanto, o ecchi de 2.5d Seduction vai ficando cada vez mais natural e é verdadeiramente um elemento importante. Me faltam palavras pra elogiar esse mangá, foda demais. Termino simplesmente recomendando ele, leiam e divirtam-se!
Shinewbi (2025 - 3 Volumes - Jump+)
Finalizei minhas leituras mensais, ao menos até onde as conclusões vão, com um canceladinho da Jump+, que ainda tava faltando nesse texto. Não posso deixar meus leitores esquecerem que me comprometi por anos com um desafio extremamente masoquista de ler todos os lançamentos do Mangá Plus, fato devidamente documentado nesse vídeo. Não se esqueça que pra gente poder rir tem vários palhaços almoçando Cup Noodles com cerveja Lokal.
Sendo sincero, esse mangá é legalzinho. É uma história de ninjas moderna que mistura ferramentas tecnológicas com as artes mais tradicionais e que basicamente gira em torno de um romance entre os dois protagonistas, que usam tipos de técnicas opostas e com isso se completam nas missões e, futuramente, no amor. Os capítulos são engraçados e fáceis de ler, e a obra sabe bem no que é boa e decide focar nisso, uma habilidade que pouquíssimos autores sabem demonstrar dentro da plataforma atualmente. Tem meu selo de aprovação, apesar de que eu não particularmente recomendaria essa leitura a menos que o tema tenha te chamado atenção.
E chegou ao fim mais um apanhado de comentários sobre minhas leituras! É evidente que não quero me comprometer com postagens de tema parecido mensalmente e que também não desejo que meu blog se resuma a esse tipo de texto, no entanto, essas tem sido as matérias com melhor resultado de acordo com as estatísticas totalmente imparciais que o Google™ me fornece. É bom fazer o que o povo gosta, né não?
E sim, estou falando com vocês, poucos e fiéis leitores. Os vejo na próxima!

Nenhum comentário:
Postar um comentário