Tudo que escrevi acima não muda e nem muito menos anula o fato de que cada vez mais busco regularizar minha leitura de livros. Não é que eu veja isso como uma forma de me tornar o suprassumo da cultura ou que pense na leitura tal qual um "INVESTIMENTO", como infelizmente tem se tornado bem popular de se propagar. Simplesmente penso que existem muitos livros que me interessam por aí que eu ainda não li, e que devido ao meu ritmo insano de leitura de mangás e quadrinhos, que eu mesmo sei que não é tão saudável assim, acabo deixando de dar atenção pra coisas que me interessam e que podem se tornar boas quebras de ritmo e experiências enriquecedoras para minha vida.
Com isso, orgulhosamente terminei 10 livros em 2025 (Contagem da qual eu excluí volumes de Light Novel, como Toradora, que também terminei no ano). Esse texto é um pequeno comentário sobre cada um deles, e espero que me acompanhem nele!
- Diálogo entre um padre e um moribundo e outras diatribes e blasfêmias (Marquês de Sade)
Em uma bienal hoje já relativamente longínqua, apesar de talvez não tanto quanto o leitor deva estar pensando, me deparei com algo que me chamou atenção. Estava passeando pela sessão de mangás da Comix e vi um chamado "Sade", do autor Senno Knife, de capa chamativa e preço bastante convidativo. No entanto, o que mais me chamou atenção não foi nenhum desses dois fatores, e sim o fato de que eu absolutamente nunca tinha ouvido falar da publicação desse título. Para pessoas que possuem vidas saudáveis e estabilizadas, é absolutamente normal se deparar com uma situação parecida, já que o mercado de mangás no Brasil corre por anos e mais anos e cada vez mais aumenta o seu ritmo de publicações, só que pra mim foi um choque.
Foi um choque, já que desde minha pré-adolescência leio e pesquiso sobre esse assunto como um doido, já tinha desbravado todos os fóruns e blogspots obscuros, já havia visitado todos os sites perdidos no limbo da Wayback Machine, já havia zerado as matérias do Biblioteca Brasileira de Mangás. E, por algum motivo, aquele "Sade" passou totalmente pelo meu radar. Não preciso nem dizer que comprei na hora e que foi uma das primeiras leituras que comecei depois do evento. Lembro até de me surpreender com o teor erótico da publicação, momento registrado ao vivo em meu canal do YouTube.
Foi por meio desse mangá que conheci o Marquês de Sade e me encantei por seu mundo. Um mundo de erotismo sem limites, de desafio do que consideramos certo e errado, de questionamentos à na época imaculada instituição que era a igreja católica e de muita liberdade, liberdade levada aos seus maiores extremos e que busca causar desconforto e diversos questionamentos ao leitor. É leitura provocativa, e na época o era mais ainda. Na verdade, uma das maiores façanhas do catálogo de Sade, na minha opinião, é ser um conjunto de escritas dos anos 1700 que consegue continuar chocando e provocando calafrios em uma era na qual estamos excessivamente expostos a tudo que há de mais vil em nossa sociedade.
Cativado pelo mangá, que depois que tive chance de mergulhar melhor na bibliografia do autor descobri ser inclusive uma adaptação bem freestyle, comecei a correr atrás de seus livros. Li "120 Dias de Sodoma", obra que deveria ser o magnum opus de Sade mas que desafortunadamente terminou inacabada; depois me aventurei na coletânea de contos "O Marido Complacente", que é bem mais calma e coletada se comparada ao livro anterior, assemelhando-se mais a outros clássicos de sua época, mas sem perder o tempero Sadeano e depois mergulhei em "Os Infortúnios da Virtude", a primeira versão da história de Justine e Juliette, sobre a qual ainda terei a chance de comentar por aqui.
Isso nos leva a "Diálogos entre um padre e moribundo", e sim, eu precisava escrever esse contexto todo, e ele foi essencial para esse texto!!!
Nesse livro, que também é essencialmente uma coletânea de contos, o que é exposto é a vertente ateísta do autor, sempre presente em suas obras e sobre a qual frequentemente lemos explicações detalhadas e apaixonadas. O conto titular versa a respeito de um padre que tenta converter um homem à beira da morte, homem esse que é um perfeito Sadeano, um vilão repleto dos argumentos mais detalhados possíveis para justificar todo e qualquer absurdo que possa ter cometido em vida e que, é claro, nega veementemente a ideia de um Deus. Dentre outras que poderia escolher, destaco a seguinte passagem;
"Ora, pregador, ultrajas teu deus mostrando-o assim. Deixa-me negá-lo totalmente, pois, se ele existe, tu o ultrajas bem mais com tuas blasfêmias do que eu com minha incredulidade."
Ainda vamos mergulhar mais no autor nesse textinho, então, por ora penso já estar bom.
- Ryota: O Romper de Aurora (Jennifer Maurer & Ana Helena)
Acabei de escrever mais do que imaginava a respeito do livro anterior, e ainda tenho mais nove para comentar nessa lista, contando com este. Poderia escrever parágrafos sobre Ryota, que é uma obra nacional excelente, sentimental e que trata temas sensíveis de forma sublime, misturando tudo com uma vibezinha de Battle-Shounen que vocês sabem que eu amo.
Só que eu já fiz uma análise completa desse livro em meu canal no YouTube. Então, os peço licença e direciono quem estiver interessado no assunto a clicar aqui e conferir por lá.
- Vale Tudo (Gilberto Braga, Aguinaldo Silva, Leonor Bassères & Mauro Alencar)
Adoro como sempre que vou montar essas retrospectivas e listas de final de ano acabo me deparando com a saudável aleatoriedade que é minha vida. Que tal sair de um clássico francês, passar por uma "Light Novel brasileira" e aterrissar direto em uma adaptação de novela brasileira oitentista? Cara, eu acho isso lindo demais.
Tenho que agradecer (?) especialmente ao meu pai e à minha avó materna pelo gosto recente que desenvolvi por novelas brasileiras, que creio serem uma das maiores expressões contemporâneas de nosso povo e nossos costumes. Recentemente assisti o caótico e divertido "Mania de Você", que me deixou absolutamente incrédulo com a sequência final na ilha, que pra mim parece direto de algo que eu leria no Spirit Fanfics, e o romance de cangaço "Guerreiros de Sol". Esse achei mais morno, é só um novelão bem produzido e não muito mais. Ah, e isso sem contar as milhões de novelas que acabo assistindo picotadas e mesmo assim sabendo tudo e reagindo a tudo que acontece, um prazer imenso que esse tipo de produção pode nos proporcionar.
Acompanhei religiosamente o remake de Vale Tudo e me encantei pela proposta da história. Pra além do clichê de se vale ou não a pena ser honesto, é uma história que inerentemente luta contra uma ideia cega de "Karma" e vai na contramão dos costumes noveleiros ao demonstrar que na vida real os "vilões" podem sim se dar bem e que, na verdade, na maioria das vezes é exatamente o que acontece. O remake é cheio de altos e baixos e não vou transformar esse parágrafo numa análise dele, me atenho a afirmar que amei a nova versão da Maria de Fátima e que desejo morte lenta a todo o núcleo da Consuelo. Podemos falar sobre o livro?
Eu não estava vivo na exibição clássica de Vale Tudo, e se você estava é uma surpresa extremamente agradável te ver aqui no blog, já que estatisticamente meu conteúdo acaba chegando mais nos jovens. Continue, eu juro que é mais interessante do que parece!
Esse livro é uma adaptação curta e bastante resumida da novela clássica, que peguei por ter curiosidade de conhecer melhor a história e comparar ela com a nova versão conforme ia assistindo. Não foi uma leitura que eu desgostei, e acabou sim me ajudando a entender bastante da versão clássica e a apontar as diferenças, principalmente na reta final do remake, que é quando ele vai ficando cada vez mais original, mas não sei se recomendaria esse livro pra alguém que não estivesse no exato mesmo contexto que eu. É uma versão tão resumida e picotada que muitos aspectos importantes da novela foram cortados, e outros são resolvidos de forma mais simples para que não se estendam tanto, isso dá no leitor a sensação de que se está tendo apenas um gostinho de Vale Tudo e não a experiência completa, o que na minha opinião é decepcionante. Sei que os dois formatos são MUITO diferentes e que não dava pra deixar tudo igual, mas sinto que a adaptação feita aqui não é do jeito que eu desejava e isso me incomodou, o que talvez seja até meio presunçoso de minha parte.
De qualquer forma, não me arrependo da leitura. Só não procuraria outros livros dessa mesma linha.
- Utopia para realistas: Como construir um mundo melhor (Rutger Bregman)
Estou escrevendo meu TCC e percebi que precisava aumentar minha bibliografia a respeito do tema que escolhi, que gira em torno da renda básica universal, de programas de assistência e de suas implicações e consequências. Esse livro, que olhando de longe parece um daqueles auto-ajuda terríveis que você encontra abarrotando as livrarias e que te causam síndrome do pânico ao ler a contracapa, é na verdade um estudo bastante sério e lotado de fontes boas do historiador contemporâneo holandês "Rutger Bregman", que ainda pouco conheço mas já acho extremamente interessante e até tenho outras leituras dele na minha lista de pendências.
O livro começa nos situando no mundo em que vivemos e o comparando com outros períodos históricos, inclusive os que muitas vezes são alvo de nostalgia. O autor busca provar por A + B que estamos incontestavelmente no melhor período para se estar vivo como ser humano, o que pode parecer óbvio quando colocado assim mas que é frequentemente questionado e colocado em xeque pelos mais diversos atores de nossa sociedade. A partir daí, caminhamos para a perspectiva dos problemas que ainda existem e do que pode ser feito para mitigar os mesmos, passando sempre pela ideia de renda básica universal e suas implicações. Tudo descrito aqui é contextualizado e amplamente comprovado utilizando evidências históricas e, ao mesmo tempo, é colocado de forma simples e didática para o leitor.
Foi um excelente incremento ao meu TCC, e acima de tudo uma leitura que eu realmente gostei, o que muitas vezes é difícil dizer sobre o que a faculdade te """incentiva""" a ler.
Vamos pular a introdução já feita a respeito do autor e ir direto pra carne do texto. A história das irmãs Justine e Juliette é certamente a preferida do autor se formos julgar sua obra pelo número de páginas escritas e pelo tempo a ela dedicada. Nela, duas irmãs órfãs recebem a chance de decidir se entregar ao mundo dos vícios e da libertinagem, apresentado como mais fácil, prazeroso e lucrativo, ou manter-se sob as ordens de Deus e os preceitos católicos, levando uma vida correta e virtuosa. Enquanto Juliette escolhe a primeira, Justine vai para a segunda. A partir daí, o que vemos é uma série de contos que evidenciam como Justine é frequentemente punida por sua virtude e honestidade, de algumas das formas mais brutais já concebidas pelo autor, perdendo apenas para o que é apresentado em "120 Dias de Sodoma"; enquanto Juliette cresce na vida e se apetece de todos os prazeres mundanos existentes e imagináveis.
Essa é a segunda versão do conto, que é um pouco mais longa e detalha um pouco mais os chamados "tormentos da virtude". Há ainda uma terceira versão, passando das mil páginas, onde é adicionado um capítulo exclusivo que narra melhor a história de Juliette, que nos dois primeiros livros é apenas brevemente comentada. Essa versão nunca foi publicada em português, mas está disponível em inglês e vai ser uma de minhas primeiras compras em 2026.
Gosto dessa história pelos mesmos motivos que me fazem encantar-se pela bibliografia de Sade. É um conto que confronta tudo que era mais sagrado e correto em sua época e que, anos depois, ainda consegue atingir seus objetivos de forma magnânima. Ainda, em um paralelo com outra leitura que descrevi aqui, é um ataque direto à ideia de que boas ações trarão bons resultados em vida, colocando a natureza como um ambiente cruel e onde conceitos como a virtude são puramente uma invenção humana. Aliás, se tem uma coisa que me diverte pra caramba nos textos do Marquês são os monólogos intermináveis dos vilões a respeito de sua vida de maldades e sobre como estão completamente convencidos de que aquilo é o melhor e mais correto a se fazer.
Essa passagem vem da versão em inglês do livro, que foi a que li. Exercitem suas capacidades na língua e entendam um pouco mais meu fascínio para com o autor!
- A Rainha do Ignoto (Emília Freitas)
Olhem só, um livro que possui resenha completa aqui no blog, resenha essa da qual me orgulho bastante! Que excelente oportunidade de você ir lá dar uma conferida e conhecer o clássico mais subestimado da ficção científica brasileira, né não? CLIQUE AQUI!!!¡
- Livraria de bebidas Moonglow (Seo Dongwon)
A editora Panini, atual quase detentora do monopólio na publicação de mangás e quadrinhos de super-heróis no Brasil, iniciou uma linha para publicação de livros asiáticos mais ou menos na metade do ano passado, e achei uma excelente iniciativa. Além da seleção inicial de títulos ter me interessado bastante, foi legal ver que se fugiu da óbvia escolha que é o Japão e foram lançadas obras de outros países do continente, como esse que agora irei comentar, que é um livro coreano.
A leitura narra aventuras extraordinárias que estão em sua maioria centradas na tal livraria de bebidas, onde memórias são transformadas em coquetéis mágicos e os clientes são convidados a revisitar algumas de suas mais complexas memórias e reviver momentos, enxergando seu passado com novos olhos e assim sendo guiados a tomar decisões mais sábias para o futuro, ou ao menos assim esperamos que aconteça. A estrutura é episódica e os problemas variam de cliente a cliente, mas sinto que a temática mais recorrente é a da frustração que a vida moderna causa e a forma como nossa estrutura de trabalho e sociedade nos leva a frequentemente questionar nossas decisões e nos forçar a ser a "melhor versão de nós mesmos" de forma extremamente idealizada. Não é algo saudável e não está ajudando ninguém, mas é cada vez mais difícil fugir disso.
A parte mais legal do livro é como, ao contrário do que se pode pensar, não há nenhum incentivo ou mesmo esforço para que se mude o passado ou para fazer com que alguém se sinta mal por suas escolhas, muito pelo contrário, a leitura nos leva a aceitar o que aconteceu como tema finalizado e o tomar como aprendizado para que o futuro seja o mais proveitoso possível, e não na visão higienizada e perfeitinha que vozes dominantes tentam propagar, mas sim dentro do que você mesmo sente como melhor e mais gostoso. Curti bastante a leitura, e recomendo, já que além de tudo é rapidinha e tem também uns aspectos de ficção interessantes pra quem curte essas paradas.
- As imagens do outro sobre a cultura surda (Karin Strobel)
Mais uma leitura totalmente incentivada pela faculdade, e olha que nossos professores insistem que ninguém dá a mínima para o que eles falam. O que pode até ser verdade dependendo do caso, mas aí são outros quinhentos...
Fiz um período de libras nesse semestre, já que era a única optativa disponível nos meus horários e eu, como bom aficionado pelo estudo de línguas, tinha bastante interesse em me aprofundar um pouco mais no assunto. Saio de lá com um vocabulário relativamente capenga, mas que me permitiria manter conversas em ambientes extremamente simples e controlados, como é comum para iniciantes em cursos assim. No entanto, o que tirei de mais legal foram as histórias e as vivências a respeito do povo surdo, uma realidade que eu sinceramente desconhecia em profundidade, por nada mais nada menos que falta de experiência pessoal com o assunto.
Esse livro me foi recomendado pela professora e o devorei em apenas duas sessões. Admito que tive dificuldade com a versão em PDF disponível, que é lotada de erros de português e passagens pouco claras, o que não sei se é exclusividade dela e se já foi resolvido em revisões posteriores, no entanto, fora disso, a leitura foi extremamente proveitosa. Aprendi sobre vivências pessoais de pessoas com essa deficiência, alguns de seus "artefatos culturais" e, no geral, me senti mais imerso no mundo das libras e pronto pra me aprofundar mais no aprendizado. A importância do mergulho na cultura de uma língua na sua absorção dela é GIGANTESCA, simplesmente não dá pra mensurar, e essa leitura aqui me ajudou a finalmente mergulhar de cabeça no mundo das libras.
Não sei se vou me tornar fluente ou algo do tipo, mas acho que no ano de 2026 vou poder evoluir e sair dos ambientes hiper controlados e passar ao menos aos super controlados. Assim esperamos!
- Singularidade: Contos Científicos (Estúdio Armon - Vários Autores)
Achei a ilustração de capa desse livro tão exótica que decidi deixar ela como imagem principal do texto! Enxergo nela uma melancolia futurística que me dá calafrios...
Singularidade é uma coletânea de contos produzida pelo Estúdio Armon, que é o maior guerreiro no mercado de quadrinhos nacionais independentes atualmente, possuindo uma revista digital em estilo mangá com mais de 100 números ininterruptos e ainda um ritmo de publicações físicas que causa inveja até mesmo em editoras já consolidadas. Sempre estou nas campanhas do Catarse deles demonstrando meu apoio e garantindo seus exemplares cada vez mais profissionais e repletos de esmero. Dentre todos os livros aqui comentados, se fosse pra classificar os que mais se aproveitariam de seu apoio, eu com certeza colocaria esse e o Ryota como escolhas definitivas, então, se houver interesse por eles, não deixe de apoiar.
A coletânea, como o nome sugere, foca na ficção científica, e seus contos variam de tamanhos, tendo o livro inteiro um total de 342 páginas. Vou destacar aqui os dois contos que eu mais gostei, sendo o primeiro o "Um Crime à Moda Antiga", de Erix Olivier. É uma história de investigação e detetives que se passa em Marte e me engajou pra caramba em seu mistério e sua ambientação, além da personagem principal ser incrivelmente carismática e ter uma personalidade única. Outro dos que me chamou atenção é o "O Crime das 23:11", de Moisés Souza. Esse se passa na Terra, mas lida com a questão de loop temporal de forma extremamente inteligente, com escrita simples e cativante que me deixou sempre curioso pra saber qual seria a próxima surpresa.
Engraçado que, agora que parei pra pensar, minhas duas histórias favoritas giram em torno do mesmo tema. E olha que não tenho nenhum tipo de predileção por histórias de investigação nem nada do tipo, só achei que, aqui dentro dessa coletânea, elas foram as que mais funcionaram. Isso obviamente não tira o mérito de todas as outras, já que nenhuma eu achei particularmente ruim, e temos temas que vão desde um Sword Art Online porra louca até histórias de ninjas. Tem muita variedade, o que obviamente é auxiliado pela grande quantidade de autores, sendo que o tamanho e a estrutura o tornam o tipo de livro que se beneficia de uma leitura espaçada e atenciosa, tomando cada história como aperitivo sem correr muito e sem querer ignorar os detalhes.
Vida longa ao Estúdio Armon!
- Sabão de Coco (Antonio Niddan)
Minha última leitura do ano foi um acaso. Eu sou fã dos acasos.
No meio do ano fui em um sebo com a minha tia no centro do Rio de Janeiro e, juntando nossas compras, com certeza pagamos as contas de água e luz do dono nesse mês. Ele nos lotou de brindes, e um deles foi escolher um livro pra levar de graça entre uma pilha específica que ele tinha. Acontece que essa pilha provavelmente já tinha sido muito desbravada por outros leitores, e tava lotada de caça-palavras e atividades do tipo, além de leituras religiosas extremamente específicas e livros que pareciam fazer parte do acervo pessoal de Tutancâmon, a julgar pelo estado de conservação. O único que parecia minimamente interessante era esse que aqui comento nesse tópico, então, foi parar em minhas mãos e acabei o terminando na reta final de dezembro. Alguns chamariam de coincidência, outros de destino.
A leitura de Sabão de Coco foi uma viagem absurdamente maluca. A sinopse impressa na contracapa fala sobre uma história de época no Rio de Janeiro setentista, e que possui fortes ligações com a Umbanda e suas tradições. Ao ler, me deparei com um romance entre dois (e eventualmente três) rapazes, de linguagem bem mais explícita do que o esperado e com uma escrita super peculiar. Por boa parte da obra, a Umbanda parece estar ali mais por questões de estética do que qualquer outra coisa, já que claramente não é o foco de nada, e apenas na reta final ganha um maior significado, o que até que redimiu esse aspecto do livro na minha opinião. O autor está muito mais interessado em questões de romance e desenvolvimento pessoal do que no cenário de época, que na verdade mal é citado, ou a questão das religiões de matriz africana, que mesmo que um pouco mais aprofundada passa longe de ser o foco. Isso não seria um problema se a sinopse não tivesse me levado a esperar algo completamente diferente, o que considero uma grande gafe.
Não vou spoilar o final aqui, mas fiquei tão satisfeito com seu simbolismo que sinceramente não tenho nenhuma vontade de achincalhar essa leitura nesse meu texto. Mas tenho de ser sincero e dizer que não foi nada do que eu esperava e que definitivamente não é um livro que eu recomendaria.
Eu queria ter lançado esse texto em 2025, mas já sei que não consegui, afinal estou eu no digníssimo novo ano fazendo a revisão final de tudo que aqui escrevi. Sendo assim, aproveito a oportunidade pra dizer que desejo a todos o melhor 2026 possível, que a gente possa fazer mais as coisas que gostamos e conviver mais com pessoas que nos fazem bem. Que sobre tempo pra focar nos nossos projetos e falar calorosamente sobre nossas paixões, já que esse é o verdadeiro tempero da vida!
Te espero em uma próxima oportunidade aqui no meu blog!
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