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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Highschool DxD, Pokémon Black & White e mais - Leituras de Mangá (Dezembro 2025)


Ainda há esperança. Eu possuo o poder de transformar tecladas inconsequentes em textos a respeito dos mais variados assuntos, e não posso ter medo de o usar para o bem maior!

Janeiro corre no que é pra mim uma velocidade praticamente indecifrável. Ano passado foi conturbado, muita coisa aconteceu na minha vida e eu tinha a impressão de que estava preso eternamente, parecia que nunca ia acabar. No fim, não só chegou ao fim, como está parecendo que 2026 promete andar bem mais depressa no meu relógio interno, o que a essa altura do campeonato é uma mudança super bem-vinda.

Tudo isso é pra dizer que eu quero fazer um texto a respeito das minhas leituras de dezembro do ano passado, e que estive correndo contra o tempo pra deixar ele pronto e jogar na boca do povo. Me parece inacreditável pensar que no meio de um janeiro onde eu estive cada hora em um setor diferente da humanidade eu vou ter condições de lançar dois textos. Mas bem, você tá lendo isso, então eu consegui, e as consequências para a minha qualidade de sono e de vida certamente não são relevantes ao assunto!!!! Vamos agora conversar sobre gibis filipinos.


A Nova Ilha do Tesouro (1984 - Volume Único)

Uns poucos anos atrás, comecei uma leitura do clássico "Astro Boy", que antes conhecia apenas superficialmente e por meio daquele filme em CGI que nem quando eu era criança eu gostava. É um mangá fascinante e que aborda temáticas incrivelmente atuais, mas ele também é longo e de leitura bastante cansativa, ou ao menos foi a impressão que tive. O resultado é que acabei parando após alguns volumes e deixei aquele gibi na minha enorme lista de pendências, no entanto, meu desejo de me aprofundar na bibliografia do hoje lendário Osamu Tezuka permaneceu vivo. A solução que venho encontrando pra isso é a leitura dos volumes únicos que a NewPop publicou no Brasil majoritariamente no início de sua carreira, e que hoje são facilmente encontrados por preços baratos demais. Sendo assim, é quase impossível não levar pra casa, ao menos para um compulsivo como eu.

"A Nova Ilha do Tesouro" é incrivelmente interessante, sendo uma versão refeita do que é tido por muitos como o primeiro sucesso de Tezuka. Como relatado pelo próprio autor, a primeira versão do mangá acabou sendo fortemente picotada por circunstâncias complicadas com seu antigo editor, então ele decidiu refazer tudo e dar à obra uma versão contemporânea, em sua época, é claro. O enredo é bastante simples e lembra bem o que você esperaria de uma obra de época, podendo fazer o paralelo óbvio com as produções da Disney, para facilitar o entendimento do leitor. Porém, o que realmente me fascinou é o contexto histórico que essa edição encadernada decidiu incluir, já que ela vem com muitas páginas retiradas de um antigo diário do Tezuka, onde o autor narra parte de seus primórdios como desenhista e comenta sobre diversos aspectos mundanos, tanto referentes a seus hábitos quanto aos mangás que estava produzindo. Eu VIAJEI lendo esse diário, me senti transportado para um mundo de época que me deixou absolutamente imerso.

Recomendo totalmente a leitura pra quem é minimamente interessado em história, mesmo que não possua necessariamente o ímpeto de conhecer melhor o Tezuka. É um encadernado valioso e que pode ser comprado por aí por uma pechincha.


A Pessoa Amada (1993 a 1995 - Volume Único - Young Rosé)

E falando em volumes únicos de autores renomados, temos outro integrante desse seleto grupo no texto de hoje. Estou falando do "A Pessoa Amada", volume do grupo Clamp que, adicionando ainda mais para a coincidência, também foi publicado pela NewPop e também é encontrado por aí a preço de banana. Quer mais um detalhe pra coincidência? Pois bem, é mais um encadernado que eu adorei!!!

Vou admitir que as minhas expectativas para essa leitura estavam praticamente nulas. Não por causa da CLAMP como um todo, já que eu curto a maioria dos maneirismos do grupo e penso que as meninas de lá são mestres do mangá, mas sim por uma experiência passada que tive. Li anos atrás o "Shunkaden", outro One-Shot da CLAMP publicado pela NewPop, e achei plenamente medíocre em comparação com o que conheço do grupo, mesmo que admita que eu poderia conhecer bem mais. Peguei o mangá sobre o qual aqui escrevo pensando que poderia muito bem ser só mais uma experiência normalzona, bem-vinda, mas normalzona. E eu estava enganado.

Entre vários capítulos pequenos e ainda ensaios escritos pelo grupo que transitam entre as partes desenhadas, trata-se de um volume que analisa várias das faces do amor sob um olhar feminino delicado e transmitido ao papel de forma absolutamente sublime. É de tirar o chapéu como podemos sentir uma miríade tão profunda de sensações ao ler pequenos recontos com personagens que nem sequer conhecemos. Leitura absolutamente recomendada, é um dos melhores volumes únicos que li nos últimos anos, e olha que a JBC vem lançando uns que são páreo duro.


Blooming Love (2023 a 2025 - 7 Volumes - Jump+)

Vamos sair um pouco da nostalgia e voltar para a atualidade, é hora de comentar mais uma de minhas trocentas leituras semanais, sendo essa obviamente uma que encerrei durante o mês de dezembro.

"Blooming Love" é um romance que nasceu com muito prestígio nos meus círculos por vários motivos, desde o passado do autor até a abordagem pé no chão e singela da relação entre os personagens. Não é um mangá ruim, ele tem o seu valor em diversos aspectos sobre os quais você pode conversar com algum dos vários fãs da obra por aí. Eu não sou um deles.

Vou confessar que desde o primeiro dia eu caracterizava esse romance como absolutamente sem tempero. Não me conecto com os personagens e com as situações, não encontro uma característica marcante que faça eu me afeiçoar pela história e muito menos vejo motivo para preferir ele em detrimento de outros romances excelentes que saem junto na plataforma, como o "Hope You're Happy Lemon", que exala personalidade e carisma. Não é um gibi que me dá vontade de elogiar e nem de ficar falando mal, é um momento que existiu e que agora deixa de existir. Sem mais.


Pokémon Black & White (2010 a 2013 - 9 Volumes - CoroCoro Ichiban e Pokémon Special)

Caralho, eu não acredito que finalmente tomei vergonha e decidi levar pra frente essa releitura que eu já tava a fim de fazer a anos. Olhando assim, dá até um orgulho do meu eu do mês passado. E olha que esse não é o único mangá sobre o qual vou poder dizer isso nessa lista!

Apesar de eu nunca ter tido os jogos dela na infância, a região de Unova me marcou incrivelmente, simplesmente por ser o que existia quando comecei a entender o que era Pokémon. Tecnicamente eu também peguei o finalzinho do Diamante e Pérola, mas era bem o finalzinho mesmo e não cheguei a ter nenhum produto daquela geração, como as cartinhas e coisas do tipo. Tudo começou em Unova! Por isso, quando lançou o mangá de Black & White no Brasil, eu rapidamente comprei e lembro de ter me divertido pra caramba com esses volumes, apesar de que nunca consegui a coleção completa na época. Corta pra eu no auge dos meus 21 anos, cheio de livros velhos e um sonho, que é descobrir se esse mangá realmente era bom que nem eu me lembrava.


É um gibi divertido, e apesar de ter muitos momentos de encheção de linguiça mesmo sendo um arco curto, consegue se segurar o tempo todo com seus bons personagens e suas dinâmicas divertidas. O lance do protagonista com a Munna é simplesmente sensacional, uma das ideias mais criativas na franquia e que adiciona ao Black mais camadas que fogem do estereótipo básico que ele poderia ter sido. Além disso, temos a White e seu subtexto que conversa de forma direta com o conflito para com a Equipe Plasma, que forma um dos grupos de vilões mais interessantes de toda a série Pokémon em questão de ideologia. É aquele típico grupo que precisa de vez em quando ser colocado fazendo coisas comicamente malvadas pra gente lembrar que eles são os vilões e que a gente não deveria estar concordando com eles, apesar de que os autores até que vão bastante longe no conflito da "posse" dos Pokémon, o mais longe que poderiam em um Kodomo.

No fim, o saldo é extremamente positivo e além de tudo os líderes de ginásio e a elite quatro ganham bastante tempo de aparecer e demonstrar suas personalidades e habilidades únicas. É um outro mundo se comparado com o anime, que eu quando criança já achava um porre e nem quero imaginar o que pensaria a respeito hoje.


Highschool DxD (2010 a 2018 - 11 Volumes - Dragon Age)

Era uma vez um menino viciado em desenhos japoneses que passava horas navegando nos mais diversos e obscuros espaços da internet em busca de entretenimento. Um belo dia, ele encontra um anime com uma linda peituda de cabelos ruivos que tira a roupa logo no primeiro episódio de forma incrivelmente explícita. Agora imagine que, além de tudo, esse anime tinha uma abertura MAGNÍFICA e uma história criativa cheia de personagens cativantes. É o sonho da juventude!

Eu finalmente reli a versão em mangá de Highschool DXD, que infelizmente não teve a oportunidade de adaptar todo o conteúdo das light novels e parou relativamente cedo, aos 11 volumes. Estou comprando as novels em inglês no melhor ritmo que meu orçamento permite e conhecendo a história em sua fonte original, no entanto, o mangá não é nem de longe de se jogar fora. A arte é bonita, e todas as qualidades da obra, desde seu sistema de poder surpreendentemente criativo até o ecchi sensacional, estão absolutamente intocadas nessa versão. Seria super interessante se em algum momento essa adaptação fosse retomada, mas eu não espero que aconteça tão cedo.


2.5 Dimensional Seduction (2019 a 2025 - 25 Volumes - Jump+)

E de ecchi a nova geração também tá extremamente bem servida. Eles podem estar diminuindo de volume em algumas publicações tradicionais, mas a longevidade de gibis como o excelente "2.5d Seduction" mostra que o mundo ainda está lotado de jovens cheios de vitalidade. Como deve ser.
 
Uns anos atrás, antes desse blog voltar à ativa, eu fiz uma thread lá no Twitter onde comentava de forma bastante apaixonada a respeito desse mangázinho. Até hoje me orgulho daquele texto e acho que foi um dos melhores que fiz no formato, portanto, permita-me vos apresentar uma versão adaptada dele nessa seção do texto;


2.5d Seduction, adicionado recentemente no Mangá Plus, prova que a aceitação é a maior forma de paixão que existe. Com um elenco maravilhoso e repleto de paixão, que cresce conforme os personagens se desenvolvem e aprofundam suas relações, é uma leitura extremamente foda.

À primeira vista, essa série parece um Ecchi mais tradicional, usando como pretexto o cosplay e focando no erótico mais do que outra coisa. O que chama atenção nesse começo é o protagonista, que é excêntrico e completamente comprometido com o 2D. Conforme a história se desenvolve, o ecchi deixa de ser o foco e passa a ser um dos elementos de uma história que, acima de tudo, fala sobre paixões, hobbies e a aceitação de cada um por suas individualidades. É um mangá extremamente apaixonado por seus conceitos, e isso é fascinante.


Por meio de diferentes contextos, encontramos personagens que vêem no cosplay um complemento para algo que falta em suas vidas, todos passando em algum nível pela aceitação de suas características consideradas diferentes e muitas vezes marginalizadas. Sendo assim, é um mangá essencialmente sobre se aceitar como você é, indo desde o contexto otaku até o romance, o erótico, o fetichismo e tudo mais. A obra confronta o leitor apresentando conceitos que você pode considerar "errados" ou "esquisitos" como perfeitamente aceitáveis. Desde cultura fujoshi, doujinshi, garotas fascinadas pelo erótico, personagens confrontadas sobre o valor que representam ao mundo, o elenco majoritariamente feminino representa uma variedade belíssima e me cativou imensamente.


Retornando ao conflito do protagonista, o mesmo percebe que sua atração "somente" por garotas 2D era uma forma de escapismo para traumas que o mesmo possui. Com isso, ele abandona o 2D e percebe que o 3D é mais importante?

Não, ele aceita ambos como parte de sua vida.

Esse mangá é verdadeiramente especial e conversou comigo em um nível absurdo. Claro que existe o aspecto de harém que pode desagradar os mais puristas e também é uma obra que inevitavelmente utiliza muito do erótico, no entanto, se não curte, vale passar por cima disso. É o tipo de quadrinho em que, sempre que um personagem novo é adicionado, você possui a certeza de que terá sinergia perfeita com o elenco. É o tipo de mangá que dá pra imaginar QUALQUER personagem conversando com QUALQUER personagem, isso é um indicativo de qualidade gigantesco.

Admito que sou mais fã do Ecchi como elemento de humor, que costuma se encontrar nos quadrinhos da Jump (Como To Love-Ru e até Yuuna até certo ponto), no entanto, o ecchi de 2.5d Seduction vai ficando cada vez mais natural e é verdadeiramente um elemento importante. Me faltam palavras pra elogiar esse mangá, foda demais. Termino simplesmente recomendando ele, leiam e divirtam-se!


Shinewbi (2025 - 3 Volumes - Jump+)

Finalizei minhas leituras mensais, ao menos até onde as conclusões vão, com um canceladinho da Jump+, que ainda tava faltando nesse texto. Não posso deixar meus leitores esquecerem que me comprometi por anos com um desafio extremamente masoquista de ler todos os lançamentos do Mangá Plus, fato devidamente documentado nesse vídeo. Não se esqueça que pra gente poder rir tem vários palhaços almoçando Cup Noodles com cerveja Lokal.

Sendo sincero, esse mangá é legalzinho. É uma história de ninjas moderna que mistura ferramentas tecnológicas com as artes mais tradicionais e que basicamente gira em torno de um romance entre os dois protagonistas, que usam tipos de técnicas opostas e com isso se completam nas missões e, futuramente, no amor. Os capítulos são engraçados e fáceis de ler, e a obra sabe bem no que é boa e decide focar nisso, uma habilidade que pouquíssimos autores sabem demonstrar dentro da plataforma atualmente. Tem meu selo de aprovação, apesar de que eu não particularmente recomendaria essa leitura a menos que o tema tenha te chamado atenção.


E chegou ao fim mais um apanhado de comentários sobre minhas leituras! É evidente que não quero me comprometer com postagens de tema parecido mensalmente e que também não desejo que meu blog se resuma a esse tipo de texto, no entanto, essas tem sido as matérias com melhor resultado de acordo com as estatísticas totalmente imparciais que o Google™ me fornece. É bom fazer o que o povo gosta, né não?

E sim, estou falando com vocês, poucos e fiéis leitores. Os vejo na próxima!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Todos os livros que eu li em 2025!


Não sou do tipo que dá para a literatura tradicional um valor quase que transcendental, como se ela fosse a única forma válida de se adquirir cultura e carregasse um poder que outras de suas companheiras não possuem. Leio um livro clássico francês com o mesmo afinco com o qual leria um gibi da Turma da Mônica Jovem, afinal, acredito que o valor da leitura vem muito mais da minha experiência pessoal e do que consigo tirar dela do que de qualquer outra coisa. Venho pensando assim quase desde que me entendo por gente, e acho que é uma de minhas filosofias pessoais com as quais estou mais satisfeito. E olha que eu sou bastante fã de algumas que tenho.

Tudo que escrevi acima não muda e nem muito menos anula o fato de que cada vez mais busco regularizar minha leitura de livros. Não é que eu veja isso como uma forma de me tornar o suprassumo da cultura ou que pense na leitura tal qual um "INVESTIMENTO", como infelizmente tem se tornado bem popular de se propagar. Simplesmente penso que existem muitos livros que me interessam por aí que eu ainda não li, e que devido ao meu ritmo insano de leitura de mangás e quadrinhos, que eu mesmo sei que não é tão saudável assim, acabo deixando de dar atenção pra coisas que me interessam e que podem se tornar boas quebras de ritmo e experiências enriquecedoras para minha vida.

Com isso, orgulhosamente terminei 10 livros em 2025 (Contagem da qual eu excluí volumes de Light Novel, como Toradora, que também terminei no ano). Esse texto é um pequeno comentário sobre cada um deles, e espero que me acompanhem nele!

- Diálogo entre um padre e um moribundo e outras diatribes e blasfêmias (Marquês de Sade)

Em uma bienal hoje já relativamente longínqua, apesar de talvez não tanto quanto o leitor deva estar pensando, me deparei com algo que me chamou atenção. Estava passeando pela sessão de mangás da Comix e vi um chamado "Sade", do autor Senno Knife, de capa chamativa e preço bastante convidativo. No entanto, o que mais me chamou atenção não foi nenhum desses dois fatores, e sim o fato de que eu absolutamente nunca tinha ouvido falar da publicação desse título. Para pessoas que possuem vidas saudáveis e estabilizadas, é absolutamente normal se deparar com uma situação parecida, já que o mercado de mangás no Brasil corre por anos e mais anos e cada vez mais aumenta o seu ritmo de publicações, só que pra mim foi um choque.

Foi um choque, já que desde minha pré-adolescência leio e pesquiso sobre esse assunto como um doido, já tinha desbravado todos os fóruns e blogspots obscuros, já havia visitado todos os sites perdidos no limbo da Wayback Machine, já havia zerado as matérias do Biblioteca Brasileira de Mangás. E, por algum motivo, aquele "Sade" passou totalmente pelo meu radar. Não preciso nem dizer que comprei na hora e que foi uma das primeiras leituras que comecei depois do evento. Lembro até de me surpreender com o teor erótico da publicação, momento registrado ao vivo em meu canal do YouTube.

Foi por meio desse mangá que conheci o Marquês de Sade e me encantei por seu mundo. Um mundo de erotismo sem limites, de desafio do que consideramos certo e errado, de questionamentos à na época imaculada instituição que era a igreja católica e de muita liberdade, liberdade levada aos seus maiores extremos e que busca causar desconforto e diversos questionamentos ao leitor. É leitura provocativa, e na época o era mais ainda. Na verdade, uma das maiores façanhas do catálogo de Sade, na minha opinião, é ser um conjunto de escritas dos anos 1700 que consegue continuar chocando e provocando calafrios em uma era na qual estamos excessivamente expostos a tudo que há de mais vil em nossa sociedade.

Cativado pelo mangá, que depois que tive chance de mergulhar melhor na bibliografia do autor descobri ser inclusive uma adaptação bem freestyle, comecei a correr atrás de seus livros. Li "120 Dias de Sodoma", obra que deveria ser o magnum opus de Sade mas que desafortunadamente terminou inacabada; depois me aventurei na coletânea de contos "O Marido Complacente", que é bem mais calma e coletada se comparada ao livro anterior, assemelhando-se mais a outros clássicos de sua época, mas sem perder o tempero Sadeano e depois mergulhei em "Os Infortúnios da Virtude", a primeira versão da história de Justine e Juliette, sobre a qual ainda terei a chance de comentar por aqui.

Isso nos leva a "Diálogos entre um padre e moribundo", e sim, eu precisava escrever esse contexto todo, e ele foi essencial para esse texto!!!

Nesse livro, que também é essencialmente uma coletânea de contos, o que é exposto é a vertente ateísta do autor, sempre presente em suas obras e sobre a qual frequentemente lemos explicações detalhadas e apaixonadas. O conto titular versa a respeito de um padre que tenta converter um homem à beira da morte, homem esse que é um perfeito Sadeano, um vilão repleto dos argumentos mais detalhados possíveis para justificar todo e qualquer absurdo que possa ter cometido em vida e que, é claro, nega veementemente a ideia de um Deus. Dentre outras que poderia escolher, destaco a seguinte passagem;

"Ora, pregador, ultrajas teu deus mostrando-o assim. Deixa-me negá-lo totalmente, pois, se ele existe, tu o ultrajas bem mais com tuas blasfêmias do que eu com minha incredulidade."

Ainda vamos mergulhar mais no autor nesse textinho, então, por ora penso já estar bom.

- Ryota: O Romper de Aurora (Jennifer Maurer & Ana Helena)

Acabei de escrever mais do que imaginava a respeito do livro anterior, e ainda tenho mais nove para comentar nessa lista, contando com este. Poderia escrever parágrafos sobre Ryota, que é uma obra nacional excelente, sentimental e que trata temas sensíveis de forma sublime, misturando tudo com uma vibezinha de Battle-Shounen que vocês sabem que eu amo.

Só que eu já fiz uma análise completa desse livro em meu canal no YouTube. Então, os peço licença e direciono quem estiver interessado no assunto a clicar aqui e conferir por lá.

- Vale Tudo (Gilberto Braga, Aguinaldo Silva, Leonor Bassères & Mauro Alencar)

Adoro como sempre que vou montar essas retrospectivas e listas de final de ano acabo me deparando com a saudável aleatoriedade que é minha vida. Que tal sair de um clássico francês, passar por uma "Light Novel brasileira" e aterrissar direto em uma adaptação de novela brasileira oitentista? Cara, eu acho isso lindo demais.

Tenho que agradecer (?) especialmente ao meu pai e à minha avó materna pelo gosto recente que desenvolvi por novelas brasileiras, que creio serem uma das maiores expressões contemporâneas de nosso povo e nossos costumes. Recentemente assisti o caótico e divertido "Mania de Você", que me deixou absolutamente incrédulo com a sequência final na ilha, que pra mim parece direto de algo que eu leria no Spirit Fanfics, e o romance de cangaço "Guerreiros de Sol". Esse achei mais morno, é só um novelão bem produzido e não muito mais. Ah, e isso sem contar as milhões de novelas que acabo assistindo picotadas e mesmo assim sabendo tudo e reagindo a tudo que acontece, um prazer imenso que esse tipo de produção pode nos proporcionar.

Acompanhei religiosamente o remake de Vale Tudo e me encantei pela proposta da história. Pra além do clichê de se vale ou não a pena ser honesto, é uma história que inerentemente luta contra uma ideia cega de "Karma" e vai na contramão dos costumes noveleiros ao demonstrar que na vida real os "vilões" podem sim se dar bem e que, na verdade, na maioria das vezes é exatamente o que acontece. O remake é cheio de altos e baixos e não vou transformar esse parágrafo numa análise dele, me atenho a afirmar que amei a nova versão da Maria de Fátima e que desejo morte lenta a todo o núcleo da Consuelo. Podemos falar sobre o livro?

Eu não estava vivo na exibição clássica de Vale Tudo, e se você estava é uma surpresa extremamente agradável te ver aqui no blog, já que estatisticamente meu conteúdo acaba chegando mais nos jovens. Continue, eu juro que é mais interessante do que parece!

Esse livro é uma adaptação curta e bastante resumida da novela clássica, que peguei por ter curiosidade de conhecer melhor a história e comparar ela com a nova versão conforme ia assistindo. Não foi uma leitura que eu desgostei, e acabou sim me ajudando a entender bastante da versão clássica e a apontar as diferenças, principalmente na reta final do remake, que é quando ele vai ficando cada vez mais original, mas não sei se recomendaria esse livro pra alguém que não estivesse no exato mesmo contexto que eu. É uma versão tão resumida e picotada que muitos aspectos importantes da novela foram cortados, e outros são resolvidos de forma mais simples para que não se estendam tanto, isso dá no leitor a sensação de que se está tendo apenas um gostinho de Vale Tudo e não a experiência completa, o que na minha opinião é decepcionante. Sei que os dois formatos são MUITO diferentes e que não dava pra deixar tudo igual, mas sinto que a adaptação feita aqui não é do jeito que eu desejava e isso me incomodou, o que talvez seja até meio presunçoso de minha parte.

De qualquer forma, não me arrependo da leitura. Só não procuraria outros livros dessa mesma linha.

- Utopia para realistas: Como construir um mundo melhor (Rutger Bregman)

Estou escrevendo meu TCC e percebi que precisava aumentar minha bibliografia a respeito do tema que escolhi, que gira em torno da renda básica universal, de programas de assistência e de suas implicações e consequências. Esse livro, que olhando de longe parece um daqueles auto-ajuda terríveis que você encontra abarrotando as livrarias e que te causam síndrome do pânico ao ler a contracapa, é na verdade um estudo bastante sério e lotado de fontes boas do historiador contemporâneo holandês "Rutger Bregman", que ainda pouco conheço mas já acho extremamente interessante e até tenho outras leituras dele na minha lista de pendências.

O livro começa nos situando no mundo em que vivemos e o comparando com outros períodos históricos, inclusive os que muitas vezes são alvo de nostalgia. O autor busca provar por A + B que estamos incontestavelmente no melhor período para se estar vivo como ser humano, o que pode parecer óbvio quando colocado assim mas que é frequentemente questionado e colocado em xeque pelos mais diversos atores de nossa sociedade. A partir daí, caminhamos para a perspectiva dos problemas que ainda existem e do que pode ser feito para mitigar os mesmos, passando sempre pela ideia de renda básica universal e suas implicações. Tudo descrito aqui é contextualizado e amplamente comprovado utilizando evidências históricas e, ao mesmo tempo, é colocado de forma simples e didática para o leitor.

Foi um excelente incremento ao meu TCC, e acima de tudo uma leitura que eu realmente gostei, o que muitas vezes é difícil dizer sobre o que a faculdade te """incentiva""" a ler.


- Justine ou os tormentos da virtude (Marquês de Sade)

Vamos pular a introdução já feita a respeito do autor e ir direto pra carne do texto. A história das irmãs Justine e Juliette é certamente a preferida do autor se formos julgar sua obra pelo número de páginas escritas e pelo tempo a ela dedicada. Nela, duas irmãs órfãs recebem a chance de decidir se entregar ao mundo dos vícios e da libertinagem, apresentado como mais fácil, prazeroso e lucrativo, ou manter-se sob as ordens de Deus e os preceitos católicos, levando uma vida correta e virtuosa. Enquanto Juliette escolhe a primeira, Justine vai para a segunda. A partir daí, o que vemos é uma série de contos que evidenciam como Justine é frequentemente punida por sua virtude e honestidade, de algumas das formas mais brutais já concebidas pelo autor, perdendo apenas para o que é apresentado em "120 Dias de Sodoma"; enquanto Juliette cresce na vida e se apetece de todos os prazeres mundanos existentes e imagináveis.

Essa é a segunda versão do conto, que é um pouco mais longa e detalha um pouco mais os chamados "tormentos da virtude". Há ainda uma terceira versão, passando das mil páginas, onde é adicionado um capítulo exclusivo que narra melhor a história de Juliette, que nos dois primeiros livros é apenas brevemente comentada. Essa versão nunca foi publicada em português, mas está disponível em inglês e vai ser uma de minhas primeiras compras em 2026.

Gosto dessa história pelos mesmos motivos que me fazem encantar-se pela bibliografia de Sade. É um conto que confronta tudo que era mais sagrado e correto em sua época e que, anos depois, ainda consegue atingir seus objetivos de forma magnânima. Ainda, em um paralelo com outra leitura que descrevi aqui, é um ataque direto à ideia de que boas ações trarão bons resultados em vida, colocando a natureza como um ambiente cruel e onde conceitos como a virtude são puramente uma invenção humana. Aliás, se tem uma coisa que me diverte pra caramba nos textos do Marquês são os monólogos intermináveis dos vilões a respeito de sua vida de maldades e sobre como estão completamente convencidos de que aquilo é o melhor e mais correto a se fazer.

Essa passagem vem da versão em inglês do livro, que foi a que li. Exercitem suas capacidades na língua e entendam um pouco mais meu fascínio para com o autor!


- A Rainha do Ignoto (Emília Freitas)

Olhem só, um livro que possui resenha completa aqui no blog, resenha essa da qual me orgulho bastante! Que excelente oportunidade de você ir lá dar uma conferida e conhecer o clássico mais subestimado da ficção científica brasileira, né não? CLIQUE AQUI!!!¡

- Livraria de bebidas Moonglow (Seo Dongwon)

A editora Panini, atual quase detentora do monopólio na publicação de mangás e quadrinhos de super-heróis no Brasil, iniciou uma linha para publicação de livros asiáticos mais ou menos na metade do ano passado, e achei uma excelente iniciativa. Além da seleção inicial de títulos ter me interessado bastante, foi legal ver que se fugiu da óbvia escolha que é o Japão e foram lançadas obras de outros países do continente, como esse que agora irei comentar, que é um livro coreano.

A leitura narra aventuras extraordinárias que estão em sua maioria centradas na tal livraria de bebidas, onde memórias são transformadas em coquetéis mágicos e os clientes são convidados a revisitar algumas de suas mais complexas memórias e reviver momentos, enxergando seu passado com novos olhos e assim sendo guiados a tomar decisões mais sábias para o futuro, ou ao menos assim esperamos que aconteça. A estrutura é episódica e os problemas variam de cliente a cliente, mas sinto que a temática mais recorrente é a da frustração que a vida moderna causa e a forma como nossa estrutura de trabalho e sociedade nos leva a frequentemente questionar nossas decisões e nos forçar a ser a "melhor versão de nós mesmos" de forma extremamente idealizada. Não é algo saudável e não está ajudando ninguém, mas é cada vez mais difícil fugir disso.

A parte mais legal do livro é como, ao contrário do que se pode pensar, não há nenhum incentivo ou mesmo esforço para que se mude o passado ou para fazer com que alguém se sinta mal por suas escolhas, muito pelo contrário, a leitura nos leva a aceitar o que aconteceu como tema finalizado e o tomar como aprendizado para que o futuro seja o mais proveitoso possível, e não na visão higienizada e perfeitinha que vozes dominantes tentam propagar, mas sim dentro do que você mesmo sente como melhor e mais gostoso. Curti bastante a leitura, e recomendo, já que além de tudo é rapidinha e tem também uns aspectos de ficção interessantes pra quem curte essas paradas.

- As imagens do outro sobre a cultura surda (Karin Strobel)

Mais uma leitura totalmente incentivada pela faculdade, e olha que nossos professores insistem que ninguém dá a mínima para o que eles falam. O que pode até ser verdade dependendo do caso, mas aí são outros quinhentos...

Fiz um período de libras nesse semestre, já que era a única optativa disponível nos meus horários e eu, como bom aficionado pelo estudo de línguas, tinha bastante interesse em me aprofundar um pouco mais no assunto. Saio de lá com um vocabulário relativamente capenga, mas que me permitiria manter conversas em ambientes extremamente simples e controlados, como é comum para iniciantes em cursos assim. No entanto, o que tirei de mais legal foram as histórias e as vivências a respeito do povo surdo, uma realidade que eu sinceramente desconhecia em profundidade, por nada mais nada menos que falta de experiência pessoal com o assunto.

Esse livro me foi recomendado pela professora e o devorei em apenas duas sessões. Admito que tive dificuldade com a versão em PDF disponível, que é lotada de erros de português e passagens pouco claras, o que não sei se é exclusividade dela e se já foi resolvido em revisões posteriores, no entanto, fora disso, a leitura foi extremamente proveitosa. Aprendi sobre vivências pessoais de pessoas com essa deficiência, alguns de seus "artefatos culturais" e, no geral, me senti mais imerso no mundo das libras e pronto pra me aprofundar mais no aprendizado. A importância do mergulho na cultura de uma língua na sua absorção dela é GIGANTESCA, simplesmente não dá pra mensurar, e essa leitura aqui me ajudou a finalmente mergulhar de cabeça no mundo das libras. 

Não sei se vou me tornar fluente ou algo do tipo, mas acho que no ano de 2026 vou poder evoluir e sair dos ambientes hiper controlados e passar ao menos aos super controlados. Assim esperamos!

- Singularidade: Contos Científicos (Estúdio Armon - Vários Autores)

Achei a ilustração de capa desse livro tão exótica que decidi deixar ela como imagem principal do texto! Enxergo nela uma melancolia futurística que me dá calafrios...

Singularidade é uma coletânea de contos produzida pelo Estúdio Armon, que é o maior guerreiro no mercado de quadrinhos nacionais independentes atualmente, possuindo uma revista digital em estilo mangá com mais de 100 números ininterruptos e ainda um ritmo de publicações físicas que causa inveja até mesmo em editoras já consolidadas. Sempre estou nas campanhas do Catarse deles demonstrando meu apoio e garantindo seus exemplares cada vez mais profissionais e repletos de esmero. Dentre todos os livros aqui comentados, se fosse pra classificar os que mais se aproveitariam de seu apoio, eu com certeza colocaria esse e o Ryota como escolhas definitivas, então, se houver interesse por eles, não deixe de apoiar.

A coletânea, como o nome sugere, foca na ficção científica, e seus contos variam de tamanhos, tendo o livro inteiro um total de 342 páginas. Vou destacar aqui os dois contos que eu mais gostei, sendo o primeiro o "Um Crime à Moda Antiga", de Erix Olivier. É uma história de investigação e detetives que se passa em Marte e me engajou pra caramba em seu mistério e sua ambientação, além da personagem principal ser incrivelmente carismática e ter uma personalidade única. Outro dos que me chamou atenção é o "O Crime das 23:11", de Moisés Souza. Esse se passa na Terra, mas lida com a questão de loop temporal de forma extremamente inteligente, com escrita simples e cativante que me deixou sempre curioso pra saber qual seria a próxima surpresa.

Engraçado que, agora que parei pra pensar, minhas duas histórias favoritas giram em torno do mesmo tema. E olha que não tenho nenhum tipo de predileção por histórias de investigação nem nada do tipo, só achei que, aqui dentro dessa coletânea, elas foram as que mais funcionaram. Isso obviamente não tira o mérito de todas as outras, já que nenhuma eu achei particularmente ruim, e temos temas que vão desde um Sword Art Online porra louca até histórias de ninjas. Tem muita variedade, o que obviamente é auxiliado pela grande quantidade de autores, sendo que o tamanho e a estrutura o tornam o tipo de livro que se beneficia de uma leitura espaçada e atenciosa, tomando cada história como aperitivo sem correr muito e sem querer ignorar os detalhes.

Vida longa ao Estúdio Armon!

- Sabão de Coco (Antonio Niddan)

Minha última leitura do ano foi um acaso. Eu sou fã dos acasos.

No meio do ano fui em um sebo com a minha tia no centro do Rio de Janeiro e, juntando nossas compras, com certeza pagamos as contas de água e luz do dono nesse mês. Ele nos lotou de brindes, e um deles foi escolher um livro pra levar de graça entre uma pilha específica que ele tinha. Acontece que essa pilha provavelmente já tinha sido muito desbravada por outros leitores, e tava lotada de caça-palavras e atividades do tipo, além de leituras religiosas extremamente específicas e livros que pareciam fazer parte do acervo pessoal de Tutancâmon, a julgar pelo estado de conservação. O único que parecia minimamente interessante era esse que aqui comento nesse tópico, então, foi parar em minhas mãos e acabei o terminando na reta final de dezembro. Alguns chamariam de coincidência, outros de destino.

A leitura de Sabão de Coco foi uma viagem absurdamente maluca. A sinopse impressa na contracapa fala sobre uma história de época no Rio de Janeiro setentista, e que possui fortes ligações com a Umbanda e suas tradições. Ao ler, me deparei com um romance entre dois (e eventualmente três) rapazes, de linguagem bem mais explícita do que o esperado e com uma escrita super peculiar. Por boa parte da obra, a Umbanda parece estar ali mais por questões de estética do que qualquer outra coisa, já que claramente não é o foco de nada, e apenas na reta final ganha um maior significado, o que até que redimiu esse aspecto do livro na minha opinião. O autor está muito mais interessado em questões de romance e desenvolvimento pessoal do que no cenário de época, que na verdade mal é citado, ou a questão das religiões de matriz africana, que mesmo que um pouco mais aprofundada passa longe de ser o foco. Isso não seria um problema se a sinopse não tivesse me levado a esperar algo completamente diferente, o que considero uma grande gafe.

Não vou spoilar o final aqui, mas fiquei tão satisfeito com seu simbolismo que sinceramente não tenho nenhuma vontade de achincalhar essa leitura nesse meu texto. Mas tenho de ser sincero e dizer que não foi nada do que eu esperava e que definitivamente não é um livro que eu recomendaria.

Eu queria ter lançado esse texto em 2025, mas já sei que não consegui, afinal estou eu no digníssimo novo ano fazendo a revisão final de tudo que aqui escrevi. Sendo assim, aproveito a oportunidade pra dizer que desejo a todos o melhor 2026 possível, que a gente possa fazer mais as coisas que gostamos e conviver mais com pessoas que nos fazem bem. Que sobre tempo pra focar nos nossos projetos e falar calorosamente sobre nossas paixões, já que esse é o verdadeiro tempero da vida!

Te espero em uma próxima oportunidade aqui no meu blog!



quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

As melhores músicas de anime de 2025!


Estamos no suposto final do infinito ano de 2025, e chegou a temporada das retrospectivas! É aquela época gostosa onde as empresas "descoladas" te dão acesso a seus dados de consumo do ano e fazem você se sentir ainda mais miserável, com o bônus de duvidar completamente das escolhas que fez durante o ano. E olha que a gente ama isso, tem uns que até ficam com raiva dos próprios resultados por terem idealizado outra coisa, tamanho é o culto à imagem perfeita e culturalmente superior que algumas redes atuais perpetuam. Mas aí eu já estou começando a mudar completamente de assunto, e o título desse texto não é um enfeite.

Músicas são parte inseparável da cultura Otaku, em especial as aberturas e os encerramentos. Sou da época em que pular essas partes ao assistir um episódio era considerado crime hediondo, digno de Seppuku (切腹). Hoje, com a explosão das redes de vídeos curtos e da comercialização extrema do tempo, tem gente que nem assiste as aberturas pela primeira vez, já pula logo. No entanto, mesmo nessas circunstâncias, as musiquinhas continuam marcando gerações e dando oportunidades tanto pra artistas veteranos quanto pros menos conhecidos.

Essa é a minha lista das cinco melhores músicas de anime que tivemos em 2025, contando com aberturas e encerramentos de animações japonesas lançadas durante uma das várias temporadas do ano. Os critérios utilizados são simples; levo em consideração a quantidade de vezes que escutei a música, o quanto ela me marcou e também a parte visual, que acredito ser intrinsecamente ligada à experiência nesse caso. Lembrando que eu não assisti nem metade de tudo que foi lançado esse ano, então, se faltar alguma somzeira braba que você julga a melhor do ano, é possível que eu nem sequer tenha assistido o anime. Ou pode ser que eu tenha achado a "somzeira" em questão uma merda, fica a cargo da interpretação pessoal do leitor. É bom exercitar essa capacidade de interpretar, percebo que cada vez faz mais falta.

Enfim, vamos aos cinco escolhidos. Eles não estão em ordem específica, mas são todos incríveis!


AiNA THE END - Kakumei Douchuu (革命道中) (Abertura da 2ª temporada de Dandadan)

Vou começar a minha lista tirando do caminho o que eu acredito ser a escolha mais óbvia dentro do que vai aparecer por aqui. A segunda temporada de Dandadan foi um super sucesso e conseguiu elevar absurdamente o conteúdo apresentado no mangá, com direção primorosa e excelente atuação por parte dos dubladores. Junto com ela, veio uma adorável abertura e um encerramento também bastante divertido, apesar de nesse caso eu preferir o da primeira temporada.

Falando nela, naquela ocasião tivemos uma música tema protagonizada pelo Creepy Nuts, a banda que fez um trabalho espetacular em Yofukashi no Uta e se tornou sinônimo de sucesso quando alavancou o incrivelmente medíocre Mashle com sua musiquinha do jeito que o TikTok (Manicômio) gosta. Não preciso nem dizer que sou fã dos caras, mas essa abertura que fizeram pro Dandadan não me pegou, já que apesar da parte visual combinar incrivelmente bem com a música e entregar bastante estilo, simplesmente não consegui me cativar nem um pouco pela melodia e pela letra. Tinha saído pensando que poderia ter sido melhor.

Aí, veio "Kakumei Douchuu". Que música foda!!! Deliciosamente melódica, gostosinha de escutar e perfeitamente bem casada com o conteúdo visual. É do tipo que na primeira escutada soa meio esquisita, mas que vai crescendo absurdamente conforme você se acostuma com ela. Indo além da TV Size, a versão completa traz uma experiência ainda mais encorpada, e também possui uma capa que é simplesmente IRADA. É ENERGIA DEMAIS PRA UMA MÚSICA SÓ!!!


Eu não sei nem o que diria pra quem assistiu pulando essa pedrada. Acho que facilmente poderia sair no soco com essa pessoa. Até o encerramento, que eu sinceramente acho que não é tão particularmente divertido, não foi nem um pouco pulável. Performance completamente sólida na segunda temporada de Dandadan, tanto no enredo e na produção geral quanto na parte sonora.


PiKi - Kawaii Kaiwai (Encerramento da 2ª temporada de My Dress-Up Darling)

Encerramentos são uma questão polêmica. Tenho muitos amigos que pensam que eles por tabela possuem menos qualidade e já os pulam direto, buscando poupar tempo, e nesse processo se privando de algumas das experiências mais transcendentais da história da humanidade. São meus amigos e eu os respeito, trato até como se fossem pessoas normais, como eu e você.

My Dress-Up Darling foi uma surpresa absurda nesse ano, ao menos pessoalmente. Eu tinha assistido a primeira temporada quando foi lançada e curti, mas não me chamou tanta atenção e nem era uma obra sobre a qual eu nutria muitas expectativas a respeito de uma sequência. Aí, veio essa segunda temporada e destruiu tudo, com episódios extremamente divertidos e bem animados, expondo com alegria e maestria tudo que a cultura Otaku tem de mais único e divertido. Assistir foi como me afundar em um universo onde todos os personagens são intimamente ligados com uma cultura na qual eu cresci me inspirando, é como estar em casa, foi uma sensação de desejar estar vivendo algumas daquelas situações e de se sentir extremamente realizado por ainda existirem obras desse jeito em um mundo cada vez mais higienizado.

E Kawaii Kaiwai foi uma catarse por si só. Quando bati o olho nos lindíssimos visuais do encerramento, que carregam consigo uma estética extremamente deslumbrante e afeita a se focar nos mínimos detalhes, foi paixão instantânea. Demorei um pouco mais pra vir a apreciar a música separadamente, mas, quando o fiz, percebi como eu era cego no passado. A melodia doce e hipnotizante se junta com uma letra simples, melódica e de métrica impecável. É impossível não ser tocado diretamente quando você finalmente entende o poder dessa música e do que ela representa.

Se você leitor, por acaso, ainda é do tipo que automaticamente pula os encerramentos, saia imediatamente dessa vida! Só nessa lista, já dando um pequeno spoiler, temos mais finalizações do que aberturas. Quanto mais você se livra de seus preconceitos, mais feliz sua vida será!


Rikako Aida - Is this love? (Segundo encerramento de Medaka Kuroiwa)

Mais peculiar do que o orçamento de uma coxinha e um caldo de cana com o qual "Medaka Kuroiwa Num Liga Prus Meu Charminho" teve que trabalhar é o fato de que, mesmo tendo ele em mente, o anime de alguma forma e por algum motivo quis fazer dois encerramentos em uma temporada de simples doze episódios. Entender eu não entendi, mas agradeço por ter acontecido, já que foi uma das melhores músicas que conheci no ano e não poderia ficar de fora dessa lista!

E sim, eu sei que afirmei e reafirmei que os visuais são parte integrante da minha escolha para esse texto, e qualquer um que assistiu Medaka sabe que a produção da obra passou longe de ser sequer aceitável. No início ainda transmitia uma vibe de anime "anos 2010" que me era bastante agradável, e mesmo isso já era meio que uma forçada de barra. Aí, o negócio ficou tão feio e derreteu tanto que nem forçando estava dando pra defender, restando apenas a realização de que eu de fato não me importo tanto assim com aspectos técnicos quando a história me cativa. Apesar de tudo que foi citado, ao falar sobre o encerramento em questão isoladamente, eu realmente acho que ele passa um charme de produção mais "vintage" e que dá um showzinho na sua simplicidade, apesar de não ser nem de longe o destaque aqui. O resumo da ópera é que é perfeitamente possível realizar qualquer feito acreditando no coração das cartas, ou algo do tipo.

O foco é na música, pela qual simplesmente me apaixonei. Tenho um ponto fraco por japonesas fazendo refrões chiclete em inglês que se entrelaçam com as partes em Nihongo™ de uma composição. Me peguei colocando imediatamente no meu Spotify e tocando em loop de forma absolutamente hipnotizada a versão completa do IMPECÁVEL "Is This Love?". Medaka vai ter uma segunda temporada, e enquanto provavelmente não poderemos esperar nenhuma publicação em páginas sensacionalistas de Sakugá, acho válido torcer pra que mais músicas incríveis sejam entregues!


Hina & Kana - Shimanchu nu Takara (島人ぬ宝) (Um dos três encerramentos da primeira temporada de Okitsura)

Na minha cabeça, é absolutamente inaceitável que alguém tenha passado o ano de dois mil e vinte e cinco inteiro sem assistir "Okitsura: Fell in Love with an Okinawan Girl, but I Just Wish I Know What She's Saying". Eu juro que o título gigantesco é só pra assustar, esse anime é uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida. São 12 episódios transcendentais lotados de humor totalmente palhaço, curiosidades estranhamente específicas sobre Okinawa, aulas de Uchinaaguchi (Dialeto da região) e, ainda por cima, teve tempo de ainda desenvolver elementos de romance. É muito aproveitamento pra uma série só, uma surpresa absoluta e imperdível pra qualquer ser animado que possua inteligência e livre arbítrio. Mas enfim, eu acho que o assunto deveria ser o encerramento...

Tal como a obra em geral, a seleção musical de Okitsura toma um cuidado extremo na questão de representar a região de Okinawa de forma fidedigna e respeitar sua história, ensinando seus costumes e preservando a maior quantidade de cultura possível. O anime trouxe três temas de encerramento, e fez questão de escolher músicas clássicas da região, sendo a mais divertida e rica delas "Shimanchuu nu Takara", que descreve de forma poética as diversas visões de Okinawa, aqui cantadas pelas duas protagonistas de Okitsura.

"O céu dessa ilha onde nasci, me pergunto o quanto dele conheço
Estrelas brilhantes e nuvens em constante movimento
Mesmo que me pergunte, não sei o nome delas
Mas, de algo eu sei mais que ninguém
Nos momentos tristes, e nos felizes também, olhei para esse céu repetidas vezes
Não dá pra entender só pelos livros, certamente há algo valioso aqui
É o tesouro de nossa ilha."

É revoltante pensar que uma produção com tamanho carinho e cuidado tenha chamado tão pouca atenção, no entanto, é uma história que infelizmente já ouvimos várias vezes. Ouça a música, entenda a letra e assista Okitsura.


Spira Spica - Ao to Kirameki (アオとキラメキ) (Abertura da segunda temporada de My Dress-Up Darling)

Termino minha humilde lista repetindo um anime que já apareceu, coisa que eu por via de regra não costumo gostar de fazer em textos desse tipo. Só que dessa vez foi inevitável, e se tem uma coisa que eu gosto mais do que criar regras para mim mesmo é constantemente quebrar elas e fingir que nunca existiram. É um hobby divertido, certamente bem mais do que tentar reproduzir qualquer tipo de credibilidade para com seu público. Imagina fazer isso...

O mesmo grupo que nos agraciou com o acachapante tema de abertura da primeira temporada retorna para mais um conjunto de vibrações musicais absolutamente adorável. Sou fã de consistência desse tipo, na verdade sou apaixonado por ela, já que consegue trazer uma identidade absurda para a série. Nada contra as que gostam de mudar radicalmente, às vezes até prefiro, mas diferentes contextos exigem diferentes decisões, e no caso de My Dress-Up Darling trazer o grupo de volta foi uma escolha completamente correta. A abertura é bem trabalhada visualmente, traz como acompanhamento uma pedrada absoluta e, ainda por cima, é totalmente a cara de Dress-Up Darling e de tudo que é apresentado nessa segunda temporada ao telespectador.

Não sei se teremos uma terceira temporada, e isso na verdade têm sido uma grande discussão nas comunidades de fãs. A forma como essa terminou dá a entender que podem ter tentado encerrar por aqui, mas ao mesmo tempo o mangá possui conteúdo não adaptado, mesmo que seja pouquinho. Se rolar, realmente espero que possa se manter a qualidade já estabelecida, e também que o Spira Spica possa retornar pra fechar o ciclo com chave de ouro.


Bônus: Creepy Nuts - Mirage (Abertura da segunda temporada de Yofukashi no Uta)

Essa abertura infelizmente teve que ficar de fora da lista tradicional, já que ela não chegou nem perto de se classificar no critério das "mais ouvidas". Só que, de verdade, eu ia me arrepender demais se não a citasse em algum lugar, então vai ficar eternizada como menção honrosa.

Call of the Night (Yofukashi no Uta) me deixou completamente apaixonado em 2022 com seus personagens cativantes, sua ambientação de tirar o folêgo e, obviamente, a trilha sonora absurda protagonizada pela banda Creepy Nuts. Na segunda temporada, que demorou uns anos mas felizmente acabou rolando, os caras tão de volta com um tema de abertura dos deuses e lotado de estilo, desde a parte musical até os visuais. Até fico meio envergonhado por ter me atropelado no que estou assistindo e ainda não ter terminado essa segunda temporada, preciso fazer isso logo...




E essa foi a minha lista das melhores músicas que agraciaram nossas queridas animações japonesas no ano de 2025. Espero que tenham curtido! Se tudo der certo, ainda vou fazer mais alguma coisa aqui no blog nesse sentido de retrospectiva de 2025, já que tenho muito o que falar sobre esse tema. Só não esperem a de jogos, essa vai sair no canal do YouTube, como sempre.


F.A.Q dessa postagem:

P: [Tal música] não merecia estar na lista!

R: Você tem péssimo gosto musical.

P: [Tal música] é muito melhor do que essas e não foi citada!

R: Faça sua própria lista e coloque o que você quiser.

P: A presença e os comentários feitos sobre [Tal música] me deixaram profundamente ofendido!

R: Desligue o roteador.

sábado, 13 de dezembro de 2025

Jujutsu Kaisen, Fuuka e mais - Leituras de Mangá (Novembro 2025)


Acredito eu que hoje seja um belo dia para comentar com vocês a respeito das minhas leituras de mangá do mês passado. E sim, eu sei que na postagem anterior disse que não queria de forma alguma me comprometer com escrever algo mensalmente, no entanto, a existência desse texto não significa que estou me comprometendo com nada, eu ainda tô simplesmente fazendo o que eu quero e na hora que eu quero, como um bom hedonista faria! Na verdade, entre obras que acompanho semanalmente e outras que peguei pra ler de uma vez só, acabou que eu finalizei muita coisa legal nesse mês de novembro, então acho que essa leitura vai ser minimamente interessante pra você que decide investir seu tempo e sua sanidade nela.

Partindo de Weekly Shounen Jump e indo até quadrinhos coreanos, passando por gibis cancelados e por obras que se tornaram grandes sucessos, tem pra todos os gostos aqui. Então, antes que eu me empolgue demais nessa introdução, vamos nessa!


Ping-Pong Peril (2025 - 2 Volumes - Weekly Shounen Jump)

Como eliminamos dois deles no mês passado, esse é o único cancelado da Shounen Jump que aparece no texto. Ping-Pong Peril é um gibi de Ping-Pong absolutamente maluco que começa com partidas em um balcão de barzinho e uma casa de banho, e termina com um super empolgante jogo no espaço sideral, sem nenhuma espécie de exagero de minha parte. 

Ok, talvez a parte do empolgante possa ser um pouco acima do tom, no entanto, reitero que isso depende completamente do gosto do freguês!!!

Pessoalmente, eu gostava dessa leitura. Nunca foi nada extremamente bem escrito ou acima da média, mas a vontade que o autor tinha de estar sempre surpreendendo e fazendo o Ping-Pong das formas mais excêntricas possíveis, somada com a criatividade que a obra conseguiu demonstrar, bem, isso me agradava demais. Até tivemos uma ilusão de que talvez o mangá poderia durar no começo, já que sua recepção online não foi tão ruim, só que logo ficou claro que não ia dar pra sobreviver em um ambiente tão competitivo como o da Jump, mesmo que ela esteja lotada de bombas hoje em dia. Bem, ao menos eu me lembrarei desse gibizinho de vez em quando, e espero que o autor encontre o sucesso futuramente.


Fuuka (2014 a 2018 - 20 Volumes + 1 Extra - Weekly Shounen Magazine)

Tá aí uma leitura que eu comecei de forma totalmente descompromissada, sem ter praticamente nenhum conhecimento prévio a respeito da obra, e que me fez sair dela com um turbilhão de sentimentos conflitantes e um zilhão de dúvidas na cabeça, tanto em relação aos temas que a obra aborda quanto ao que caralhos algumas partes desse mangá realmente queriam dizer. Mas, vamos lá, eu tenho a missão de resumir os mais importantes deles aqui para vocês.

Anos atrás eu li "Suzuka", mangá do mesmo autor, só que bem mais antigo e no geral com uma pegada diferente. Fuuka se apresenta como uma sequência de Suzuka, mas como as menções à obra anterior na maioria do tempo se resumem a pequenas piadinhas e momentos de fanservice, acho que é mais correto analisar esse mangá como uma peça própria e independente do que qualquer outra coisa. E, olhando pra ele dessa forma, eu estava curtindo bastante os primeiros volumes! É um romance escolar bem característico dessa era da Magazine, e que divide a atenção do amor com o tema da música, fazendo isso de forma natural e sem fazer parecer que nada ficou de lado, ao menos nesse sentido. A Fuuka é BEM mais legal que a Suzuka, que era uma menina insuportável que eu sinceramente não queria na minha vida nem pintada de ouro, a Fuuka consegue manter a parte da mãe que era charmosa e ainda adicionar uma camada de doçura e de personalidade própria extremamente bem-vinda. Somando isso com o excelente ritmo dos mangás do Seo, que no geral são leituras gostosas que fazem você nunca querer parar, posso dizer que eu tava virando fã dessa obra.

Aí, temos o elefante na sala. É muito provável que se você em algum momento da sua vida já ouviu falar desse mangá, saiba do que tô falando. Na verdade, o pessoal até se surpreendeu pelo fato de eu não saber, tive a experiência de leitura mais pura possível. A partir daí, Fuuka muda bastante e se torna uma obra sobre o luto e as formas de se lidar com ele, o que é uma questão SUPER COMPLICADA. Não sei se foi pelo formato que exige dramas contínuos e cada vez mais chocantes, se foi pela exigência dos leitores e da edição da revista ou se foi simplesmente pela forma como o autor gosta de escrever, mas, eu acho que Fuuka desrespeita bastante muitas das questões que levanta em relação ao luto.


E não é o tipo de desrespeito que finge que nada aconteceu ou que procura logo jogar para escanteio a questão. O que acontece é uma sequência de dramas de extremo mal gosto que tratam a morte de uma personagem como simples ferramenta de roteiro para gerar draminhas adolescentes em uma obra que se torna um novelão, do tipo mais barato possível. Existem sim momentos bons, principalmente no que tange a questão da música, e até por vezes fazem justiça a alguns temas sérios levantados. No geral, é uma obra que nunca fica MUITO ruim, mas é do tipo que vai minando a sua paciência aos poucos e faz você duvidar de sua própria opinião. Será que realmente tá havendo um desrespeito gigante aqui ou sou eu que estou sendo sensível demais? Se eu disser que cheguei a uma conclusão definitiva sobre isso eu estaria mentindo, mas posso afirmar categoricamente que diversos momentos do mangá me incomodaram, e um em específico é simplesmente o fim da picada.

Aí, se você somar isso ao fato da escrita aqui ser bastante seletiva e esquisita, Fuuka vai se tornando cada vez mais uma incógnita. Esse mangá adora levantar temas e logo ignorar eles, ou então voltar com eles vários capítulos depois e comentar como se já tivessem sido resolvidos ou definidos anteriormente. Sinceramente, quando o personagem que claramente havia sido definido como gay desde o início da obra aparece no final como bissexual e namorando com uma mulher sem NENHUM desenvolvimento da questão, foi um dos momentos em que mais ficou claro pra mim o tanto de furos que o roteiro de Fuuka possui. Mas olha, isoladamente, a parte de música não é ruim nem de longe, se é que isso vai servir pra alguém que souber ignorar tudo que já comentei.

Eu espero que essas considerações a respeito do mangá tenham ficado tão confusas na cabeça de vocês quanto na minha. E também espero que o próximo romance longo que eu escolha pra ler me deixe pensativo de forma mais positiva e saudável do que Fuuka deixou.


Sirens Won't Sing for You (2025 - 4 Volumes - Jump+)

Outro romance, mas esse felizmente não te faz duvidar de sua própria sanidade. É um gibi bonitinho sobre um mundo onde Humanos e Demi-Humanos existem na sociedade em conjunto, e nossa protagonista possui o desejo incontrolável de comer (Comer tipo canibalismo mesmo, sem piadinhas) a pessoa pela qual se apaixona. Esse cara pelo qual ela se apaixonou, por acaso, também faz parte de uma organização que lida com os problemas que Demi-Humanos causam e sofrem por aí, e é a partir daí que a história se desenvolve.

Eu já tinha lido um One-Shot desse autor chamado "The Upgraded Boyfriend" uns meses atrás na mesma plataforma e achei extremamente básico no pior sentido possível, então esse mangá foi uma surpresa relativamente positiva. É um romance bonitinho, com arte boa e de leitura rápida e dinâmica, contando com personagens divertidos e bons momentos. Não foi o suficiente pra cativar o público e acabou tendo um cancelamento relativamente rápido, o que certamente machucou a reta final, mas não me arrependo nem um pouco de ter acompanhado semanalmente esse gibizinho. Na torcida por um retorno triunfante!


Blue Proustian Moment (2025 - 3 Volumes - Jump+)

E vem aí mais um cancelado na nossa lista. Pro leitor desavisado, pode até parecer que eu tenho um dedo extremamente podre pra escolher o que acompanho, mas, quem tá familiarizado com as minhas outras aventuras no mundo da esquizofrenia recreativa sabe bem a razão disso acontecer. Acho que, no futuro, vou melhorar nesse sentido, ou talvez continue uma porcaria mesmo, faz parte da experiência humana.

Blue Proustian Moment é um daqueles mangás que jura que não é um romance entre garotas mas tem tudo e um pouco mais pra ser um, menos a consumação do romance de fato. A obra comenta fortemente o tema da gentrificação, de forma simples e crua, fica bem na sua cara o que está acontecendo e quais são os atores do jogo, mas o mangá em nenhum momento se torna pesado demais nesse sentido, o que acredito que foi uma boa sacada do autor. Só que, apesar de ter seus bons momentos e de abordar bem alguns temas, fica muito dolorosamente claro que Blue Proustian Moment é um gibi amador, e isso fica tão escancarado na escrita e na estrutura da história que já serve pra afastar o leitor menos tolerante nas primeiras poucas páginas. Certamente, isso não ajudou a sua sobrevivência, e ele durou o mesmo que um cancelado padrão da Weekly Shounen Jump duraria nos dias de hoje, mesmo sendo parte da revista digital.


King of Hell (2001 a 2015 - 55 Volumes - Comic Champ)

Sim, eu li cinquenta e cinco volumes de Manhwa em um mês, e não, eu não preciso da sua pena.

A conclusão na qual cheguei depois de terminar essa leitura é que King of Hell é o que esses atuais Webtoons sem roteiro e que se seguram puramente em momentos de AURA E EGO sonham em ser. Ele não tem um grande roteiro, a estrutura é extremamente simples e os arcos muitas vezes são voltas em círculos que nem sequer seriam necessárias pra avançar na história, e mesmo assim é divertido pra caralho. Os mais de cinquenta volumes passaram voando, e às vezes eu nem me dava conta e já tinha lido cinco de uma vez, é o suprassumo do gibi de batalha descompromissado coreano, ao menos dentro do meu repertório atual.


A coreografia de combate é o que mais me chamou atenção desde o início. Além de ser totalmente divertido e intuitivo de se acompanhar, você consegue facilmente entender tudo que está acontecendo e se empolgar com os combates, flui de forma tão natural que parece que você está assistindo uma animação das mais legais, mesmo com muitos dos combates repetindo movimentos frequentemente. Aliás, se tem uma crítica que posso fazer é que eu penso que King of Hell poderia ter uns dez volumes a menos se ele realmente tivesse se importado em cortar os combates mais redundantes e desnecessários, considerando que a obra só tem realmente duas grandes sagas e que boa parte delas é de encheção de linguiça, que, mesmo sendo legal, não deixa de ser encheção de linguiça. Só não julgo tanto isso pelo fato de eu não conhecer a natureza da publicação em que esse Manhwa tava saindo, não sei qual era a concorrência, qual era a influência externa no andamento da obra e nem qual é o padrão do que era publicado por lá.

King of Hell foi publicado oficialmente em inglês por uma boa quantidade de volumes, mas acabou sendo cancelado quando sua editora entrou em falência. Posteriormente, quando ela voltou, não retomou sua publicação, e é provável que nunca vá. Felizmente, a comunidade dedicada do título traduziu tudo, então dá pra ler sem maiores dificuldades, e eu recomendo bastante, se você gostou do que leu nessa seção do texto.


Jujutsu Kaisen (2018 a 2024 - 30 Volumes - Weekly Shounen Jump)

Que tal sair de um Manhwa sobre o qual nenhum de meus leitores ouviu falar e ir direto pra uma das maiores sensações do mundo atual, que acabou de fazer bilheterias sensacionais pelo mundo mesmo lançando um filme que é basicamente uma compilação de episódios glorificada. Acho que isso seria uma coisa bem Mugiwara no Goku™ de se fazer.

Vou dispensar uma introdução a respeito de Jujutsu Kaisen e ir direto pra carne dos meus comentários, como acho que é melhor fazer.

Acho que Jujutsu é um mangá de altos e baixos, mas que no geral é competente em ser um Shounen de porradinha com energia e personagens interessantes. No começo ele demorou pra chamar a minha atenção, mas lá para o final do que é equivalente ao encerramento da primeira temporada do anime, eu estava relativamente investido e com vontade de saber mais sobre esse universo. O arco de Shibuya, que é hoje constantemente comentado como um dos suprassumos do Battle-Shounen atual, é pra mim claramente o ponto mais alto da obra, com os melhores combates, a maior criatividade e que melhor sabe trabalhar os temas da obra, desde o momento da aparição do Sukuna até suas consequências, que são super bem trabalhadas. Obviamente não vou ser um emocionado e colocar Shibuya como um dos melhores arcos da história, agora, ele é acima da média do que Jujutsu apresenta, e pra mim a forma como o anime lidou com o mesmo o tornou absurdamente mais marcante, desde a extensão de alguns combates até a direção extremamente inteligente.


A partir do arco do jogo do abate, no entanto, que é o que vai passar a aparecer na nova temporada do anime, esse mangá tem uma decrescente preocupante, que não o estraga, mas o torna pior do que estava antes. O "Culling Game" é um dos mais famigerados combates de "randolas" da história, e é também o momento em que Gege Akutami começa a querer punhetar seu próprio sistema de poder e o apresentar como muito mais complicado e intrigante do que ele realmente é, e a consequência prática disso é a massa de leitores afirmando categoricamente que não entendeu porra nenhuma, mas que achou legal. O que salva um pouco esse arco são os poderes divertidos, como o domínio que simula uma visual novel, por exemplo.

Por fim, temos o Gojo Vs Sukuna, que posteriormente vira grupo de garis da esquina Vs Sukuna. Nesse momento o punhetaço em favor do sistema de poder está tão insano que eu não sei como até hoje o autor não lançou um guia para convencer o leitor do quão geniais foram as milhões de sacadas a respeito do domínio que quebra e volta e aí quebra de novo e aí é cancelado e [...]. Não é uma luta tão ruim, mas não se compara com o que foi apresentado em Shibuya, e se torna uma enrolação absurda lá pro volume 28, tornando a finalização da obra relativamente pouco impactante, na minha humilde opinião.

Jujutsu é um mangá de altos e baixos. Agora, posso dizer que na maioria do tempo eu tava me divertindo, e que leria novamente em outro momento da minha vida. A sequência que tá saindo atualmente, o "Jujutsu Kaisen Módulo" promete (e, até o momento, está cumprindo) ser muito mais intrigante e cuidadosamente escrita, então é nisso que estou focando minhas energias.


Carnaval Glare (2013 - Volume Único - Blade Online)

Em mais um episódio de volumes únicos aleatórios que de alguma forma chegaram em terras tupiniquins, temos Carnaval Glare, um mangá sobre bruxas e caça às bruxas e coisas desse tipo. Me pergunto se o fato de ter carnaval no nome teve alguma coisa a ver com a escolha da Nova Sampa de publicar esse volume. Será que teve? Eu sinceramente não consigo imaginar nenhum outro motivo relevante.

Comprei esse mangá na Bienal desse ano e até pouco tempo atrás ainda não tinha lido. Cheguei a mostrar em um vídeo, mas admito que demorei pra de fato pegar pra ler por não esperar muito dele, e, sem muitas surpresas, não é grande coisa. É uma obra com o ritmo extremamente esquisito e do tipo que, mesmo com roteiro super simples, muitas vezes o leitor tem trabalho de entender o que aconteceu e o que o autor quer dizer com tal cena, absolutamente destruidor pra um volume único como esse. Além disso, nada de interessante é feito com o tema e a leitura parece te levar do zero ao nulo, é uma experiência tão "normal", e ainda puxando pra ruim, que chega a doer.

A melhor parte é de longe a arte, e por isso não é de se surpreender que depois desse volume todos os trabalhos posteriores do autor foram apenas como artista, deixando suas capacidades de roteiro de lado. Ele conseguiu até ser publicado nos Estados Unidos, mas no Brasil jamais deu as caras novamente. Mais uma das jóias peculiares da defunta Editora Nova Sampa.


My Marriage to Saneka (2025 - 3 Volumes - Jump+)

Fechei minhas leituras do mês com mais uma obra que acompanhava semanalmente, de um autor com o qual já sou bastante familiar. Ele publicou, também na Jump+, "Romantic Killer" e "Me and my gangster neighbor", sendo que o primeiro desses dois ganhou uma adaptação em anime pela Netflix de relativo sucesso. Li os dois mangás e meio que virei simpatizante do trabalho do cara, enquanto Romantic Killer é na maioria do tempo só absurdamente sem graça, Me and my gangster neighbor evoluiu demais e se tornou uma das minhas melhores leituras no ano em que foi lançado, com seu elenco sensacional e leitura sensível de temas caros à sociedade contemporânea.

A terceira aventura do autor na Jump+ é um romance sobrenatural a respeito do casamento de um garoto e uma Yokai, que são fortemente ligados pela relação que o tio do garoto teve com diversas entidades da região, que vão aparecendo e se desenvolvendo conforme o enredo se aprofunda. É um mangá divertido e com bastante energia, sabendo acertar no romance e nas dinâmicas entre personagens, que mesmo sendo inúmeros sempre apresentam características únicas e boas interações.

Admito que a reta final é meio decepcionante, tentando introduzir um drama bem artificial e até mesmo pequenos elementos de combate. Ficou forçado e meio que manchou uma obra pequena que poderia muito bem ter se tornado mais redondinha e recomendável. Mantenho o gibi do vizinho gangster como meu favorito do autor, mas Saneka garante um sólido segundo lugar.


E esses foram meus comentários a respeito das leituras que finalizei no mês de novembro de 2025. Tenho a impressão que acabou ficando mais extenso que o do mês passado, mas acho que também tá mais interessante. Espero que tenha gostado, e te aguardo em uma próxima oportunidade aqui no blog!